A tecnologia e a infância (Parte I: Conquistando o mundo)

Podemos não nos dar conta, mas é sabido que a tecnologia existe desde os primórdios da nossa existência. Ela não apenas caracteriza a evolução ou novidade, mas está presente em tudo que, de alguma forma, foi fundamental no auxílio nas práticas cotidianas, na sobrevivência da sociedade.

O nascimento é natural e comum à todos, o que nos diferencia é a nossa percepção do mundo que nos cerca. Como funciona essa percepção? Quais os limites da influência da tecnologia no comportamento e na personalidade de uma pessoa? Até que ponto a tecnologia pode ser útil ou prejudicial na educação infantil?

Toda criança busca uma identificação, um herói, uma imagem semelhança a ser seguida. Geralmente, observada dos adultos como os familiares, professores, seus ídolos e amigos. Da mesma forma, na escola, sua educação é baseada em costumes, valores e preconceitos definidos pela sociedade.

A menina, com bonecas e eletrodomésticos de brinquedo procura auxiliar a mãe nos afazeres domésticos. O menino, dono da casa, busca no pai aquele conselho com a “mulherada” e se empolga quando o pai traz aquelas máquinas estranhas do trabalho.

A modernidade vem modificando drasticamente a formação familiar. Mas a dinâmica se mantém. A mãe, solteira, mostra ao filho como ser prestativo e carinhoso com sua esposa. A filha vê na mãe trabalhadora seu futuro independente e vencedora.

Pode parecer óbvio, mas, o primeiro ponto para se oferecer uma educação correta, é entender que uma criança é um adulto em formação, visto de um nível social. Tudo que ele for capaz de absorver nessa fase servirá como aprendizado nas etapas seguintes.

Não existe fórmula mágica para uma boa educação, muito menos é fornecido um manual quando se põem um filho no mundo, mas existem alguns parâmetros desejáveis para o seu bom desenvolvimento.

A criança nasce sem qualquer orientação ou entendimento do que o mundo representa e quais os riscos ele irá enfrentar. É fundamental que durante seu período de amadurecimento, que engloba entre seu nascimento até cerca dos dezoito anos, todos os seus passos sejam monitorados e controlados.

Quanto mais novo, mais fácil e melhor será o entendimento da criança sobre as lições apresentadas. Mesmo que ainda não consiga se expressar verbalmente, é fundamental interpretar os sinais físicos que ele, com certeza, estará emitindo. Principalmente, em relação as curiosidades que nessa fase ficam evidentes.

O que isso tem haver com tecnologia? Muita coisa. Diferente do que muito se diz, não é conveniente distanciar as crianças da tecnologia. O importante é apresentar o mundo da forma que ele é, sem excessos ou privações. Qualquer bloqueio pode aguçar sua curiosidade e seu interesse pelo proibido e, consequentemente, criar problemas com a expectativa reprimida.

Não é bom censurar a criatividade e as idéias de uma criança, por mais louca que possa parecer. Levando em conta que nessa fase o aprendizado é mais fácil e que ter informações sobre tecnologia será fundamental na sua fase adulta, apresentar esses elementos de forma gradativa, planejada e natural e deixá-lo encontrar respostas e conquistar suas próprias vitórias podem trazer bons elementos na sua personalidade, percepção do mundo e comportamento.

Hoje em dia, quando pensamos em tecnologia, vem logo a cabeça computador, internet, celular, mas nem sempre foi assim. Décadas atrás, se discutia a influência do rádio e da TV, inclusive o videogame, na educação infantil. Mais atrás ainda, crianças se viam impedidas de brincar próximo a fábricas, pontes e maquinário de construção.

Visto por esse ângulo, percebemos que essa questão não é novidade. Muito pelo contrário, é um dilema que atravessou gerações, onde apenas os elementos foram trocados, seguindo uma evolução tecnológica natural. Entender assas essências básicas da criança pode ajudar no momento de definir ações que possam auxiliar na sua educação.

Para evidenciar ainda mais essa tese, talvez você já tenha se surpreendido com a “inteligência” de uma criança, que é capaz de manipular equipamentos com uma facilidade incrível. Muito além dos adultos. Fica evidente o seu alto nível de aprendizagem nessa fase. Assim, deixá-lo distante desse mundo, pode ser considerado um crime para o seu desenvolvimento. Além do mais, esses serão os desafios enfrentados quando atingir a fase adulta.

O importante é fornecer o máximo de “conhecimento” e “informações” sobre o mundo. Ao menos, apontar onde e como ele será capaz de obter essas informações. Mas, sempre, procurando desenvolver sua capacidade de processá-las, tirando o melhor proveito possível. A escola é a melhor aliada nessa tarefa e precisa estar alinhada com os pais.

Quando conquistar suas próprias asas, terá incorporado conhecimento suficiente que o capacitarão a voar cada vez mais alto, evitando, acima de tudo, surpresas em épocas em que o mundo competitivo não aceita quedas com tanta facilidade.

Para que a criança goze de uma formação rica e sem vícios, basta apresentar o mundo de forma objetiva e clara, disponibilizando uma boa quantidade de informações possíveis sobre os mais variados assuntos. Não esquecer de enfatizar o que realmente pode ser útil em sua vida, o alertando dos riscos que certas escolhas envolvem. Mas, tenha sempre em mente, que será dele as responsabilidades por cada passo e nada poderá fazer, contra ou a favor.

Tenha em sua confiança o melhor aliado para oferecer uma educação adequada. Nunca se esqueça, que, por mais que não sinta, ele será sua imagem semelhança e buscará nos seus conselhos o melhor caminho a percorrer. Não desperdice essa chance com excessos de proteção e cautela.

Não deixe transparecer fraqueza, mantenha a firmeza e o equilíbrio. O mínimo que se espera de um líder. Conquiste o amor e o carinho pelo respeito e nunca pelo poder.

No mais, curta seu lado criança novamente e aproveite para aprender tudo que ele é capaz de te ensinar. Essa troca será valiosa tanto a eles quanto aos já formados, ditos adultos.

Continue lendo: Parte II: A evolução natural

Veja também:
A importância da tecnologia na educação
Tecnologia da educação infantil
O uso da tecnologia da informática na educação: Uma reflexão no ensino com crianças
A influência da tecnologia na vida de crianças e adolescentes dos pequenos centros urbanos
Blog: O PC e a criança

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Postado por Rodrigo Seco em 16/09/2008
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4 Comentários to A tecnologia e a infância (Parte I: Conquistando o mundo)

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