Por Daniel Limas

Estresse
A cada dia novas pesquisas e estudos reforçam a já tradicional “disputa” entre homens e mulheres. Frequentemente, lemos matérias apontando quem é mais inteligente, quem ganha mais, quem é mais competente no trabalho, mas pouco se fala em diferença do estresse entre os dois sexos.
Para a Isma-br (International Stress Management Association) , associação que estuda o estresse e suas formas de prevenção, há diferenças no que leva homens e mulheres a níveis elevados de estresse no dia a dia de trabalho. Esta é a principal conclusão de um estudo realizado por essa associação, que pesquisou 586 pessoas de quatro empresas de abrangência nacional, de três cidades brasileiras.
“Os resultados indicam que há algumas diferenças entre as percepções de homens e mulheres no tocante às fontes de estresse ocupacional. E a identificação destas causas é fundamental para que as empresas e pessoas possam tomar medidas para amenizar as consequências negativas do estresse”, afirma Ana Maria Rossi, presidente da Isma-br.

Estresse feminino
Para 91% dos homens, a incerteza de continuar ou não na empresa e suas chances de crescer profissionalmente são o principal fator estressor, e para elas, 94,3%, é a sobrecarga de trabalho. “As mulheres são mais afetadas pela quantidade excessiva de tarefas e ainda acreditam que precisam produzir excessivamente para provar sua competência. Os homens não têm este tipo de preocupação de forma tão frequente”, diz Ana Maria Rossi. E ambos não conseguem gerenciar seu tempo de maneira positiva.
Sem querer levantar a bandeira do feminismo, é notório que muitas mulheres desempenham vários papéis ao longo do dia. Antigamente, a maioria delas eram “apenas” donas de casa. Hoje, a história é outra! “A mulher é dona de casa, esposa, mãe, filha. É responsável pela família, pelos seus pais e por sua carreira. Além disso, tem de estar sempre bonita, com unha arrumada, cabelo feito, lutar contra a celulite, contra as estrias e contra a idade. Há cobrança de todos os lados”, comenta Márcia Luz, psicóloga e sócia-presidente da Plenitude Soluções Empresariais.
Ainda por cima, a mulher precisa dar conta do trabalho tão bem quanto o homem, sem ter aberto mão de todos os outros papéis que ela desempenha. Mas, no momento em que leem essa matéria, muitos homens podem estar falando: “eu ajudo em casa.” É exatamente nesta frase que está o problema. O homem ajuda, mas não faz sozinho as tarefas de casa. “A responsabilidade continua sendo da mulher. Dessa forma, não há como não ter estresse. É uma enorme cobrança para que tudo funcione muito bem”, pontua Márcia.

Preocupação e responsabilidade
Vale lembrar também que não significa que a mulher passa mais horas no trabalho que o homem. “Geralmente, ela já chega cansada no trabalho. Antes de chegar à empresa, ela teve que resolver pendências e dar instruções para a empregada, ajudar na lição de casa dos filhos, levar a filha no balé e o filho na natação, levar para a escola e fazer supermercado”, aponta.
Ou seja, elas estão muito mais sujeitas a estresse que os homens. Mas, hoje em dia, falar que as mulheres são mais estressadas até possui uma conotação pejorativa. O fato é que elas estão realmente mais sujeitas a desenvolver mais doenças ligadas ao estresse. Os níveis elevados de estresse estão entre as principais causas para o desenvolvimento de distúrbios funcionais, problemas psicossomáticos e doenças degenerativas.
Para chegar a estas conclusões, a pesquisa foi realizada a partir de 18 fatores estressores e respostas a pergunta: “O que mais estressa e preocupa no seu dia-a-dia?” Entre os fatores estressores, os que atingiram as mais altas pontuações foram a sobrecarga de trabalho, incerteza, falta de controle, incapacidade de administrar o tempo e relacionamento com a equipe.
Segundo Márcia Luz, a incerteza apontada pelos entrevistados é aquela proveniente de continuar empregado. “Essa não é uma queixa preponderante em um dos sexos. É uma queixa geral, já que a diminuição da quantidade de emprego é uma tendência forte no mundo. Cada vez mais as relações estáveis de trabalho estão sendo substituídas por relações informais. Há muito mais instabilidade.”
Uma curiosidade apontada pela Márcia Luz é que apesar de todas as vantagens que a tecnologia trouxe para a humanidade (Veja ), isso de nada tem se valido para contribuir para o descanso. “Hoje, existem diversas tecnologias para agilizar nossa vida tanto em casa quanto no trabalho. Logo, há mais tempo para se produzir mais. Ao invés das pessoas terem mais tempo para curtir a vida, elas passam mais horas trabalhando”, critica.
Outra questão levantada por Márcia é que o trabalho representa muito para os seres humanos. É ele que ajuda a dar sentido à vida de muitas pessoas. Se o profissional não encontra sentido nem prazer no que faz, a tendência de adoecer é muito grande. “Ainda arrisco a dizer que para o homem essa questão é ainda mais complicada que para a mulher. Como a mulher desempenha diversas funções, ela tem várias outras fontes para dar sentido à vida. Já, muitos homens baseiam toda a sua vida no trabalho. Tanto é que quando o homem aposenta, ele adoece mais que a mulher.”
Para finalizar, a Márcia Luz explica que não existem algumas doenças mais características do estresse. Qualquer doença, de uma gripe a um câncer, podem se manifestar no corpo de acordo com as emoções que estão sendo seguradas pela pessoa. Para ela, a melhor forma de saber a hora de procurar um médico é observando-se e fazendo a prevenção. “Devemos ficar atentos ao que nosso corpo diz. Não percebemos nada porque geralmente estamos preocupados com outras coisas. Não espere ficar doente para procurar um médico”, explica.
Fonte: Jornal Carreira & Sucesso
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| Postado por Rodrigo Seco |