A segurança na era tecnológica (Parte I: Princípios da segurança)

Ainda hoje enfrentamos criminoso que driblam seguranças armados e munidos de inúmeros aparatos tecnológicos. Por mais que se incorpore equipamentos de segurança e aumente o rigor nos processos, sempre se descobre um ponto vulnerável que pode pôr tudo a perder.

Ao mesmo tempo, câmeras estão sendo utilizadas por pais que desejam monitorar o comportamento dos empregados no cuidado com seus filhos enquanto estão ausentes. Sem contar a evolução da perícia e do serviço de inteligência da polícia, que em posse de recursos sofisticados é capaz de desvendar crimes com mais eficácia.

Será que o avanço tecnológico foi capaz de nos oferecer mais segurança ou o advento desses equipamentos podem ser uma ameaça real a nossa privacidade? Até que ponto a tecnologia é capaz de nos oferecer segurança e quando ela se torna prejudicial? Será que a evolução vem tirando nossa liberdade e contribuindo com um “sufocamento social”?

Segurança máxima

Vamos partir do pressuposto que a segurança máxima só é atingida com a exclusão extrema de qualquer possibilidade de violação. Um objeto para estar completamente seguro não pode ser visto ou oferecer qualquer acesso. Em visão simplificada, o objeto que não dispor de qualquer “informação”, inclusive de sua existência, nunca poderá ser violado.

Analogamente, poderíamos dizer que um computador totalmente seguro seria o que se mantivesse desligado ou, talvez, que não tivesse arquivo algum. Somente estaríamos totalmente seguros, se absolutamente ninguém acreditasse na nossa existência ou, até mesmo, estivéssemos “não vivos”. Não poderíamos ter contato com nada que pudesse ameaçar a nossa saúde, mesmo que fosse vital, como o ar ou a água.

Sendo assim, podemos dizer que a existência mínima da “informação” é o item mais primitivo para que haja qualquer ameaça na segurança. Ao mesmo tempo, devemos determinar o outro extremo para que, ao menos, garanta a viabilidade da nossa sobrevivência. Consideremos a vida ou a existência da “informação” como fundamental. Ou seja, ao mesmo tempo que oferece ameaça, a “informação” é a premissa da existência.

O equilíbrio da informação

A informação pode ser definida como um objeto qualquer, a própria vida, uma mensagem ou digitalmente, no formato de arquivo. Uma representação qualquer do nosso mundo que tenha definição e possa ser interpretada. Sendo assim, possui características, formas, definições, objetivos e, principalmente, valor. Esse último é que, geralmente, determina sua importância e quanto possa despertar cobiça.

Vamos dizer que cientistas descubram uma utilidade valiosa para as cascas de bananas. Sendo divulgada largamente, teríamos uma corrida às bananas, tal como a corrida do ouro e petróleo em tempos passados. Visto por esse ângulo, a regra básica da manutenção da segurança é a garantia absoluta da não difusão das informações e, consequentemente, a desinformação sobre qualquer possibilidade de valor.

Esse processo de desinformação põem em risco a nossa liberdade e até o direito básico de ir e vir. É como, sendo rico e valioso, precise mentir sua fortuna ou sua posição geográfica a todo momento. Nessa hora é que se faz necessário o uso da inteligência e tecnologia para oferecer as condições básicas, mesmo que seja necessário abrir mão da própria privacidade.

A segurança necessária para uma informação está diretamente ligada ao seu valor, nos limites encontrados e na privacidade que se perde em busca da liberdade perdida. Para que esse valor possa se justificar e trazer os benefícios esperados, é preciso saber o ponto certo de equilíbrio entre essas forças.

Mas, mesmo assim, quem nunca sonhou em agregar valor a vida? Quando esse valor pode ser cobiçado e envolve riscos, quanto de liberdade e privacidade estará disposto a ceder? É fundamental definir o valor desses atributos para sua vida, nem sempre o conquistado compensa a vida perdida.

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Postado por Rodrigo Seco em 24/09/2008
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2 Comentários to A segurança na era tecnológica (Parte I: Princípios da segurança)

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