O valor da informação (Parte II – A evolução dos meios de comunicação)

Nos últimos tempos, a informação vem sendo consolidada como o bem mais valioso da sociedade.

Com o grande avanço tecnológico, científico e a forte participação popular, a produção de informações e o processamento de idéias ganharam uma velocidade incrível, demandando dos meios de comunicação e da comunidade científica um controle bem mais complexo.

Em um tempo que, praticamente, para cada problema existe uma solução, que os conceitos de diferentes áreas se confundem e que a velocidade da comunicação atingiu níveis quase instantâneos, ter o mínimo de conhecimento pode ser considerado questão de sobrevivência.

Já podendo ser vista como sinônimo de maturidade, como a informação foi tratada durante o progresso da comunicação? Será que podemos dizer que os meios de comunicação possibilitaram que a sociedade participasse mais efetivamente no debate do conhecimento?

Na primeira parte mostrei as diferentes formas de expressão, como a informação é gerada, transmitida e recebida. A partir desses princípios básicos, podemos começar a compreender a evolução e seu valor durante a história da humanidade.

A evolução dos meios de comunicação

Antes de qualquer coisa, gostaria de me desculpar com os profissionais de comunicação e deixar claro que não tenho a pretenção de entrar em detalhes ou distorcer a história da profissão. Meu objetivo é, de uma forma mais objetiva possível, refletir como que a informação foi vista pela sociedade a medida que a tecnologia avançava e como isso contribui, de alguma forma, com o nosso comportamento nos dias de hoje.


Na parte anterior “imaginei” como seriam dois homens da caverna esboçando sua primeira “comunicação”. Nessa época, face a vida primitiva e solitária, não haveria necessidade de uma expressão bem definida. A comunicação era feita basicamente através de gestos, gritos e rabiscos. Isso, inevitavelmente, causava conflitos quando uma compreenção mútua não se fazia possível.

Por algum motivo, fez-se necessário alguma organização. Com o tempo, os berros individuais foram dando lugar a expressões padronizadas e entendidas por toda a comunidade. Vivendo em harmonia, o homem foi deixando de ser nômade e começou a estabelecer moradia que o fornecesse condições básicas de sobrevivência.

Nessa altura, ficar de fora dos padrões seria como não ser aceito. Os ensinamentos seguiam entre gerações a partir dos mais velhos e cansados. Todas as informações de uma geração eram compartilhadas aos mais jovens, inesperientes e ansiosos, criando gerações cada vez mais preparadas para os desafios daquela época.

Porém, o processamento e armazenamento das informações se mostraram bastante limitados. O erro aprendido poderia ser perdido com o tempo, pondo em risco toda a comunidade. Naquela época, a falta de experiência os deixavam vulneráveis e qualquer descuido poderia pôr todos em risco.

Para um melhor controle do aprendizado, a evolução da escrita foi fundamental. Como trasmitir uma mensagem a distância no espaço e no tempo? Como garantir o registro da sociedade na história? Só a escrita seria capaz de garantir que o conhecimento atravessasse gerações com mais segurança. Uma verdadeira biblioteca, fonte de conhecimento.

Com a gradativa evolução da escrita, nasceu, mesmo com gravações em tábuas de pedra, a “imprensa” como a melhor alternativa de divulgação em massa das informações da alta sociedade. O advento do papel e da tinta foram primordiais para sua evolução.

A evolução que se seguiu dos meios de comunicação e da sociedade propciou o surgimento da ciência, agricultura, dos correios, do mercado, esporte, da sáude e de inúmeras outras práticas “organizadas” que ainda convivem conosco.

Com o grande crescimento das comunidades, a complexidade das guerras e das atividades sociais, era necessário uma comunicação que oferecesse mais segurança e agilidade. O advento dos pulsos elétricos foi primordial para solucionar essa demanda. Assim, surgiram os primeiros comunicadores.

Deixando de lado práticas como sinais de fumaça, refletores de luz, o código morse foi bastante difundido pelo telégrafo elétrico. A informação viaja pelas trincheiras de forma instantânea e somente quem entendesse os códigos seriam capazes de interceptar a comunicação. Logo se mostrou ineficaz, mas pode servir de base para outros equipamentos mais sofisticados.

A partir de uma evolução natural e utilizando o mesmo recurso foi que surgiu o telefone. A comunicação entre as pessoas começava a se tornar mais dinâmica e “segura”. Mesmo se fazendo necessário de grandes investimentos e estruturas complexas, o ganho com a tecnologia era incalculável. Não pode ser considerado como um gerador de informações, mas é fundamental em sua circulação. Sem dúvidas, pode ser considerada como uma das grandes invenções do século XIX.

Pouco tempo depois, ondas eletromagnéticas viajavam pelo ar e eram transformadas em ondas sonoras, sinais digitais ou analógicos. O rádio foi o terceiro equipamento capaz de oferecer o receptor de forma popular. Assim, as informações podiam chegar a milhares de pessoas simultâneamente. Devido aos custos de implantação e manutenção, o transmissor ficava a cargo de grandes corporações e governos.

Fazendo uso da mesma tecnologia, a televisão transforma as ondas eletromagnéticas não apenas em som, mas também em imagens. Enquanto o rádio trouxe informações sobre as guerras as casas das famílias dos soldados, a televisão reuniu famílias inteiras na sala, atentas para enxergar o mundo que, antes, eram frutos apenas da imaginação. O mundo todo podeia ser visto por um tubo de vidro, dentro da sua casa.

Com tantas opções disponíveis, a informação passou a circular com mais velocidade e atingir regiões cada vez mais isoladas dos centros urbanos. O desenvolvimento dessas tecnologias propiciou uma forte inclusão social. Cada vez mais pessoas começavam a enxergar os acontecimentos do mundo.

Até aqui, a sociedade agia meramente como expectador e não tinha meios de participar da geração de informações, a não ser que trabalhasse com os meios de comunicação ou fosse cientista. Mas, logo surgiria uma forme de comunicação que seria capaz de convergir todas mudaria essa relação para sempre.

A internet e a mudança na nossa postura

Finalmente, o Computador Pessoal (PC) e seu recurso multimídia, nos brindou com a internet, uma rede de conunicação entre computadores do mundo todo, usando a linha telefônica já instituída. Com uma forte convergência dde mídias, a comunicação entre os computadores tornou o fluxo de informação ainda mais dinâmico e globalizado.

Nos últimos anos, presenciamos uma profunda evolução da computação e da internet, sendo capaz de assumirmos, de forma clara, o controle do transmissor pela primeira vez na história. Mesmo com algumas limitações e riscos, que será melhor abordado na próxima parte, a sociedade começa a ganhar espaço nos meios de comunicação, sendo capaz de participar do processo de ponta a ponta. Cada vez mais pessoas começavam a participar do evolução do mundo.

A era da informação

Acompanhamos uma profunda transformação na sociedade, principalmente, na forma de pensar. Contudo, perceba que a informação sempre foi determinante no desenvolvimento da sociedade. A capacidade e a maturidade de um povo sempre esteve intimamente ligado ao nível de informação agregada.

O que nos difere das civilizações antigas no tratamento da informação não está em sua importância, mas na nossa capacidade de geração, processamento, armazenagem e transmissão. Hoje, o conhecimento não é monopólio dos poderosos e está disponível a sociedade como um todo.

Enquanto antigamente a posição social e profissional de uma pessoa já estava deinida antes mesmo do seu nascimento e o conhecimento acumulado apenas definia quão bom seria naquilo que a vida o destinou, hoje, o futuro será determinado de acordo com a informação absorvida.

Atualmente, o que define a maturidade de um profissional é a quantidade de conhecimento que ele foi capaz de reunir durante toda a sua formação. Além disso, quando esse atinge um nível que o possibilita processar e gerar novas informações, se faz reconhecido e valorizado pela sociedade.

Por outro lado, alguns analistas andam preocupados com a forte exclusão digital e a falta de instruções aos mais jovens quanto ao “bom” uso das tecnologias. Afirmam que, com o tempo, poderá haver um grande abismo entre indivíduos bem informados, e, outros, totalmente excluídos e deficientes de informação.

Mais uma vez, a melhor solução para uma era chamada de “da informação” é fazer da escola o berço de todo o conhecimento e oferecer aos “adultos em formação” as condições necessárias de participarem da sociedade com dignidade e respeito.

Leia também:
Parte III – A essência da informação e da comunicação

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Postado por Rodrigo Seco em 30/09/2008
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1 Comentário to O valor da informação (Parte II – A evolução dos meios de comunicação)

  1. [...] na segunda parte apresentei de forma clara e bastante objetiva as inúmeras relações entre a informação e a [...]

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