O valor da informação (Parte I: Princípios básicos da comunicação)

Em uma caverna, há muito tempo atrás (muito mesmo), dois homens se olham, gesticulam, emitem sons e até documentam suas atividades com rabiscos e desenhos na parede. Com o tempo, esses sons e rabiscos foram ganhando adeptos, aprimorados originando o que hoje chamamos de comunicação. Infelizmente, não é possível ter certeza como seriam esses sons, mas são através dos desenhos em cavernas que confabulamos teorias sobre nossa origem no planeta e as formas de vida de uma época distante.

De lá para cá, certamente, houve uma profunda evolução objetivando a transmissão e documentação de nossas informações. É bastante intuitivo que uma comunicação deva se basear entre dois pontos principais: por um transmissor até um receptor. Através de mensagens transmitidas por um meio que garanta sua integridade de seu conteúdo durante a transmissão.

Quando criança, certamente, você já deve ter brincado (ou ouvido falar) de “telefone sem fio” com seus amigos. Uma brincadeira simples que consiste em formar uma fila de amigos, sentados lado a lado. O primeiro diz uma frase ao segundo sem que os demais escutem. Esse retransmite ao terceiro, assim por diante. Até que chegue ao último e esse precisa acertar (em casos, adivinhar) a mensagem secreta dita pelo primeiro. Mesmo sem haver pontuação ou um vencedor, é uma brincadeira bastante divertida, que me permite fazer algumas observações curiosas:

1 – Quanto mais complexo a mensagem, maior será a dificuldade de manter a sua integridade.
2
– Quanto mais amigos (retransmissões), mais a mensagem sofrerá desgastes.

3
– O transmissor precisa ser claro e o receptor com boa capacidade.

4
– Se a transmissão da mensagem for feita em voz alta, pode haver quebra do sigilo.

5
– Criança se diverte com uma facilidade impressionante.


Segundo nosso professor do primário, possuímos cinco sentidos: audição, olfato, paladar, tato e visão. Observe que, segundo os sentidos, as mensagens podem se comportar nos formatos de som, odor, sabor, toque ou imagem respectivamente. Logo, os transmissores para uma comunicação entre seres humanos precisam emitir mensagens, ao menos, em um desses. Infelizmente, diferente de alguns “mutantes“, ainda somos limitados a essa realidade. Para piorar, algumas pessoas possuem deficiência em algum desses sentidos, refletindo diretamente na sua comunicação com a sociedade. O desafio é oferecer o máximo de recursos a fim de permitir a comunicação efetiva a um número cada vez maior de pessoas.

Quem sabe, no futuro, possamos ir além dos receptores sensoriais naturais e estimular diretamente suas regiões cerebrais correspondentes? (Já existem vários estudos de transmissores e receptores ativados diretamente pelo cérebro). Mesmo assim, não deixaremos de receber e enviar mensagem. Nesse caso, estaremos apenas definindo um meio de transmissão. O meio é a forma e o caminho pelo qual a mensagem faz do transmissor até o receptor.

Para finalizar, o princípio básico da comunicação consiste na transmissão de uma informação de forma rápida, confiável e íntegra. O transmissor capta a informação e envia em forma de mensagem ao meio. Esse, por usa vez, envia ao receptor que traduz a mensagem em informação.

Esse é o procedimento de uma ligação telefônica, por exemplo. O aparelho é o transmissor e/ou receptor. O meio são as linhas de transmissão. No caso, a nossa fala é a informação que será transformada em mensagem (pulsos elétricos, luz, ondas) transmitida ao meio.

Outro exemplo pode ser uma simples conversa. Nossa “boca” emite um som que será propagado pelo ar (meio) e captado pelos “ouvidos” que, na maioria das vezes, as entende. No caso da escrita, os símbolos são captados pelos “olhos” através da luz. Assim por diante.

Bem simples, não acha? Todos os meios de comunicação seguem a mesma lógica. É claro que cada um possui sua complexidade e particularidade quanto a forma e meio de transmissão.

Nas próximas partes, veremos o papel da tecnologia no avanço da comunicação, cuidados que devemos tomar, o valor da informação nos dias de hoje e o que podemos esperar para o futuro.

Agora, eu não sei o que faziam os dois homens a sós na caverna escura. Talvez a origem da comunicação não foi a única descoberta naquela noite.

Eu ainda acho que um olhar vale mais do que mil palavras.
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Leia também:
Parte II – A evolução dos meios de comunicação

Veja Também:
Uma nova forma de comunicação?

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Postado por Rodrigo Seco em 13/03/2008
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8 Comentários to O valor da informação (Parte I: Princípios básicos da comunicação)

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