por Angelica Kernchen
Nem sempre é fácil lidar com as pessoas. O problema é maior ainda quando não sentimos empatia por aqueles que nos lideram, pelos nossos chefes. Chefes que exigem demais, que ajudam de menos, que muito criticam e que são controladores. Então o que fazer? Qual a melhor maneira de se lidar com um chefe difícil?
Segundo José Nunes Gentil, consultor do IDORT SP, empresa de consultoria e educação executiva, antes de responder a essas questões é necessário abordar outro ponto. “Creio que o grande problema reside originariamente nos motivos que levaram à promoção desse líder. Não raro, são profissionais que se destacam positivamente no desempenho técnico e que, por consequência e oportunidade, são promovidos a cargos de chefia. Até aqui nenhum problema, contudo este profissional precisa adquirir outras competências, relacionadas ao desempenho da nova função. Assim sendo, e pela falta de sincronia entre a promoção e a capacitação, acabam sendo chefes medíocres. Normalmente oscilam entre extremos: ou são autoritários, por necessidade de esconder a sua incompetência, ou são chefes ‘amigões’, que não querem se indispor com ninguém – e quem sofre é a produtividade da área”.
Marlene Ortega, sócia diretora da Universo Qualidade e vice-presidente da Business Professional Woman, explica que lidar com pessoas nunca é algo simples, e isso acontece, especialmente, pelas diferenças existentes entre todos nós. “O conflito geralmente é causado pela visão de mundo diferenciada entre as partes, ainda que essa diferença seja apenas hierárquica. Todos nós temos capacidade de acionar canais de comunicação eficazes no relacionamento com pessoas diferentes. Basta compreender que não estamos sozinhos no mundo nem tão pouco temos todas as habilidades para ser o melhor em todas as situações. Não há possibilidade de termos sempre razão. Os relacionamentos com pessoas diferentes poderão frutificar se cuidarmos para não exacerbar aquilo que consideramos os defeitos do outro, colocando 101% de foco nas coisas positivas que nele identificarmos. Os conflitos irão acontecer em nossas vidas, quer estejamos convivendo com pessoas que se pareçam conosco, quer ao lado de pessoas que pareçam muito diferentes de nós. Aliás, os conflitos foram feitos para serem enfrentados, e não driblados. Relacionamentos adultos e maduros reconhecem e solucionam divergências”, explica.
Para evitar que a falta de empatia com o seu chefe atrapalhe o seu desempenho, a motivação é citada como solução por ambos os profissionais. Gentil diz que quando gostamos da nossa profissão, a dificuldade em lidar com o chefe fica até mais amena, pois naturalmente o profissional vai buscar a excelência (até para usar como ‘tapa-boca’ de seu líder) e, nesse sentido, o próprio trabalho é motivador.
“Já quando não existe a motivação intrínseca ao trabalho, creio que o melhor caminho é procurar outra área da empresa ou mesmo outra empresa. Enquanto isso não acontecer, tente lembrar-se do ditado popular que diz ‘não existe mal que não se acabe, nem bem que sempre dure’. Brincadeiras à parte, essa situação acaba beneficiando o profissional, pois aprender a lidar com essas situações difíceis amplia a nossa resiliência”, diz Gentil
Marlene já aponta que motivação é algo que independe dos outros, e deve vir de dentro, de si mesmo, de sua própria condição mental. “Uma saída é identificar seus principais talentos, estando pronto para persistir na conquista de seus sonhos, e não se deixando abater por pequenas derrotas. Homem e mulher são seres ao mesmo tempo coletivos e singulares. Coletivos porque fazem parte da espécie humana, e singulares porque cada um possui um conjunto de características particulares capaz de diferenciá-los. Encontre suas singularidades e coloque-as a seu favor”.
Estabelecendo contato
Porém, às vezes o chefe é tão inacessível e crítico que até temos receio de contatá-lo. Nesse tipo de situação, ambos os especialistas sugerem que a melhor maneira é planejar o contato, o que você dirá e quais perguntas ou críticas o chefe poderá fazer. Antecipar-se, procurando sempre descobrir quais os momentos em que ele está mais acessível, e só aí estabelecer o contato. A conversa deve correr de forma polida, educada, assertiva e sem ataques ou juízo de valor.
A dica de Gentil para tudo isso é para “não entrar na estratégia de ‘pedinte’, dependente ou vítima (às vezes é o estilo de colaborador preferido do chefe), mas de um profissional que é competente e que precisa de orientações e/ou decisões que fujam da sua alçada”.
Quando se tem um chefe difícil, muitas vezes a equipe acaba elegendo um dos seus membros como porta-voz de todas as necessidades do time. Geralmente essa pessoa é a única que tem confiança para enfrentar o chefe. Se esse personagem não surge, a equipe toda corre o risco de ficar infeliz, insatisfeita e desmotivada. Não obstante, essa é uma situação difícil, pois, segundo Marlene, o ambiente corporativo não costuma ser muito justo com ‘heróis’. “A corda acaba estourando em cima de quem se mostra mais. Mas há um porém nesse processo: quando a situação afeta a todos, inclusive ao porta-voz, não há motivo para não levantar-se contra as injustiças”.
Outra forma de conseguir chegar até esse superior é através do feedback 360º, onde tanto os subordinados recebem respostas de seu superior quanto o superior de seus subordinados. Vale à pena consultar o RH de sua empresa para ver se ele é aplicado, pois talvez essa seja uma boa oportunidade e uma forma mais concreta de conseguir ser aberto e levar a seu líder todas as atitudes dele que desmotivam e geram conflito na equipe.
Fonte: Catho – Carreira & Sucesso
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Postado por Rodrigo Seco em 15/11/2009 |