A tecnologia será o motor de várias escolas de samba nos desfiles que começam hoje. A Beija-Flor instalou microcâmeras e telas para ajudar os condutores das alegorias. Já a Portela destinou 40% de seu orçamento para efeitos especiais
por Diego Barreto (O Dia)

O técnico Hudson de Oliveira, da Beija-Flor, testa a tela por onde o condutor do carro alegórico vai enxergar o percurso da Avenida | Foto: Carlos Moraes / Agência O DIA
Rio – Robôs que sambam, computadores que desenham carros alegóricos, foliões que podem decolar em plena Avenida. Parece roteiro de ficção científica, mas é a Marquês de Sapucaí. Lançando mão de equipamentos e efeitos cada vez mais avançados, as escolas de samba do Grupo Especial provam que tecnologia dá samba.
A Portela que o diga. Segunda escola mais antiga do Rio, a Azul e Branca aposta num enredo sobre inclusão digital e tecnologia para quebrar um jejum de 40 anos sem faturar um título sozinha. Autores do enredo ‘Derrubando fronteiras, conquistando liberdade… Rio de paz em estado de graça’, os carnavalescos Alex de Oliveira e Amauri Santos preparam um desfile futurista.
Nem a tradicional Águia, símbolo da agremiação, escapou. Ela virá como um robô. “Nossos carros alegóricos foram desenhados num programa de computador onde são elaboradas maquetes eletrônicas em terceira dimensão. Utilizaremos equipamentos de iluminação e sonorização de última geração”, explica Alex.
O carnavalesco conta que pelo menos 40% do orçamento foram gastos em equipamentos high tech: “Teremos tecnologias que nunca passaram pelo Sambódromo. Um dos carros virá com telões que vão transmitir mensagens e fotos enviadas pelo público por meio de celulares e da Internet”.
A Beija-Flor encontrou na tecnologia a solução para um antigo problema. Motoristas que dirigem as alegorias, e às vezes não conseguem ver a pista por causa das esculturas e adereços do carro, contarão com circuito de câmeras e telões. “Estamos testando o novo sistema em três carros. Uma microcâmera é instalada na frente da alegoria, e dentro do carro telas de plasma transmitem a imagem do trajeto”, explica o carnavalesco Alexandre Louzada.
De acordo com ele, além de dar maior segurança no percurso da alegoria, o sistema de câmeras permitirá esconder os motoristas. “Às vezes perdíamos esteticamente por ter de deixar o campo de visão do motorista livre. Agora, ele poderá ficar dentro do carro”.
Na mangueira, equipe só para efeitos especiais
Na Grande Rio, a tecnologia permitirá que um dos componentes atravesse a Avenida voando. A escola vai repetir o voo do astronauta, que em 2001 surpreendeu o País. “Como nosso desfile mostra momentos que marcaram a história do Sambódromo, resolvemos fazer o homem voar novamente. Dessa vez, faremos algo ainda mais ousado. Ele vai voar sobre um setor inteiro da escola, passando sobre as alas. O voo vai se repetir algumas vezes durante o desfile e ele vai pousar num heliponto, instalado numa das alegorias”, revela o diretor de carnaval da tricolor de Caxias, Luiz Otávio Novello.
Na Mangueira, três equipes cuidam exclusivamente da ‘área tecnológica’ do desfile. “Temos uma equipe só para iluminação dos carros, outra para as lâmpadas de neon e um terceiro grupo para a elaboração dos efeitos especiais”, diz o carnavalesco Jaime Cezário. Na Mocidade, softwares substituíram as pranchetas no desenho das fantasias e alegorias.
Até profissionais conhecidos por seus desfiles tradicionais já começam a investir em elementos mais modernos para fazer mágica na Sapucaí. Em sua estreia na União da Ilha, Rosa Magalhães usará pela primeira vez um sistema de elevadores hidráulicos num dos carros. “É uma tecnologia que nunca usei antes”, afirma Rosa. O equipamento fará o escudo símbolo da escola subir a 15 metros durante o desfile.
Adepto dos carnavais barrocos, o carnavalesco Max Lopes trará no figurino da comissão de frente da Imperatriz uma novidade futurista: “Um dos componentes terá a roupa iluminada com microlâmpadas”. O último carro também terá efeitos de iluminação e fumaça para representar uma festa ecumênica.
Recursos de última geração estarão disponíveis para o público e devem facilitar cronometragem na pista
Pela primeira vez no Carnaval, quem estiver no Sambódromo vai contar com acesso gratuito a Internet sem fio. Parceria entre secretarias Estadual de Ciência e Tecnologia e municipais de Turismo e de Ciência e Tecnologia garantiu que acesso à rede por notebook ou celular da Avenida. O sistema estará disponível todos os dias de desfile. O usuário precisará apenas identificar a rede ‘Sapucaí Digital’ em seu telefone ou notebook e se conectar, sem a necessidade de senha. Oito antenas foram instaladas, permitindo 2 mil acessos simultâneos.
Outra ferramenta tecnológica será utilizada para tornar mais precisa a cronometragem dos desfiles. A Madis Rodbel, empresa responsável por marcar o tempo das agremiações na Sapucaí, desenvolveu um programa de computação que vai monitorar o tempo de entrada, evolução e saída de cada escola. Durante as apresentações, serão emitidos relatórios. Quando for iniciado o desfile, uma pessoa designada pela Liesa, acompanhada de um técnico e um representante da escola, dá início à cronometragem. O novo software será instalado em nove relógios. O sistema de alta precisão contará com relógios de backup, acionados se houver necessidade.
Interatividade — Na Portela, um carro alegórico vai exibir em telões na Sapucaí mensagens enviadas pelo site www.positivopranacao.com.br ou através de torpedo para 49137 portela.
Efeitos especiais — Alegorias que exalam perfume, emitem ruídos e soltam fumaça passarão pela Sapucaí. Na Grande Rio, dublê treinado na Nasa vai voar em pleno desfile.
Efeitos especiais — Alegorias que exalam perfume, emitem ruídos e soltam fumaça passarão pela Sapucaí. Na Grande Rio, dublê treinado na Nasa vai voar em pleno desfile.
Softwares especiais – Para desenhar fantasias e alegorias, velhas pranchetas dão lugar a maquetes eletrônicas em 3D. E um software vai cronometrar desfiles com precisão.
Acesso wi-fi — Pela primeira vez, todo o Sambódromo vai contar com sinal de Internet sem fio. O acesso à rede será gratuito e poderá ser utilizado em notebooks e celulares.
Fonte: O Dia Online
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Postado por Rodrigo Seco em 14/02/2010 |