
Conhecendo a sua equipe
Peço desculpas aos leitores do Quintal pela escassez de publicações. Contudo, durante esse tempo estive trabalhando em um projeto bastante interessante e que gostaria de dividir com vocês.
Para o projeto final, ou trabalho de conclusão, da pós-graduação em gerenciamento de projetos de software da PUC-Rio, optei em realizar um trabalho que aliasse o comportamento técnico a essência humana. No fim, é claro, utilizei muito dos ensinamentos que esse espaço me proporcionou para apimentar o estudo.
Para ficar mais próximo do assunto sociedade, apontei pelo gerenciamento de recursos humanos como ponto inicial da idéia. Um dos pontos principais do estudo de gerenciamento de projetos é a obtenção “máxima” do sucesso. Para isso, o curso aborda experiências e técnicas que possibilitam um melhor controle de todas as atividades de um projeto. De forma organizada e inteligente, o gerenciamento de projetos permite que objetivos sejam atendidos de forma segura e oferece ao gerente de projetos os mecanismos adequadas para o seu melhor desempenho. Mesmo assim, eu não conseguia entender como tantas regras e questões técnicas poderiam se comportar quando são relacionadas por pessoas.
Uma das coisas mais interessantes em um projeto, no que diz respeito a questões humanas, é que dois projetos “idênticos “podem seguir rumos totalmente diferentes quando executados por diferentes equipes. As pessoas exercem uma influencia muito forte sobre as diretrizes do projetos e saber lidar com essas forças pode ser determinante durante o desenvolvimento de um projeto.
Essas influências podem ser melhor vistas no sentido de como cada pessoa agrega valor ao projeto. Contudo, o que poucos percebem é que as definições do projeto também exercem influência e provoca transformações no comportamento da equipe tanto de forma positiva, quanto negativa. Visto isso, as diretrizes do projeto pode garantir melhores resultados quando há um exercício de conhecimento contínuo dos comportamentos da equipe.
Em suma, o estudo busca, a partir de definições meramente técnicas, apontar os comportamentos e responsabilidades dos interessados pelo projeto em diferentes pontos de vistas. Levando a questões cada vez mais reais e humanas, é possível criar um senso crítico sobre a condução de um projeto, principalmente em pontos que envolvem as características marcantes na relação do líder e seus liderados.
Em forma de agradecimento a todos que me ajudaram na realização desse trabalho e ao respeito a esse espaço que foi fundamental na formulação da idéia e maturação do conhecimento, deixo abaixo, em primeira mão, a introdução do trabalho e, logo após, a íntegra da obra (link). Espero que gostem e possa ajudar de alguma forma na forma que exercemos o nosso trabalho do dia-a-dia.
<<Introdução>>
Assim que optei em estudar sobre a natureza humana no gerenciamento de projetos, confesso que tive um pouco de medo. Muitas idéias vinham em minha mente e logo se dissipavam. Percebi que era preciso tomar nota desses pensamentos logo que surgiam, seja indo para o traba lho ou em uma longa noite de sono.
Muitas questões me intrigavam, mas a principal delas era como ser técnico e objetivo em um tema que envolve pessoas, características tão incomuns que fazem de cada equipe e projeto possuírem os próprios sentimentos, serem únicos.
Tanto na minha vida profissional, nos meus estudos e leituras, encontrei diferentes pontos de vistas. De presidentes consagrados de grandes empresas, esportistas a camelô, não encontrei um padrão confiável, uma fórmula de sucesso. Um caminho técnico e objetivo que pudesse ser compartilhado por todos para que nossas metas e objetivos pudessem trilhar águas mais calmas e com altas chances de sucesso. Tal como objetiva as fórmulas do PMI ou das carreiras de engenharias do que se define como “as melhores práticas”, me parece que, quando o assunto é o fator humano, exige muito mais do que habilidade e técnica. Às vezes, por que não dizer, um pouco de oportunidade e sorte.
Quando criança, ouvia muito que o empregador nunca devia ter vínculo pessoal com o seu empregado. Talvez fosse uma filosofia da época, onde a maior preocupação era que o empregador focasse as metas e não se deixasse influenciar aos problemas de um profissional que não estivesse rendendo como esperado. Podendo assim, facilmente cobrar produtividade ou, simplesmente, o substituir por alguém que, naquele momento, pudesse desempenhar melhor as tarefas.
Hoje em dia, venho percebendo que há uma forte tendência de quebra dos chamados “velhos paradigmas”. Não que isso signifique que o empregador ou chefe precise objetivar vínculos familiares, atuando como um psicólogo a todo o momento, mas que o sucesso depende da produtividade, que, por sua vez, passa por questões sobre liderança e motivação que deve definir o clima da equipe durante todo o projeto.
Acredito ter encontrado um ótimo equilíbrio sobre como os aspectos humanos influenciam o desempenho de um projeto e como um líder precisa atuar no reconhecimento dos seus aliados na obtenção de melhores resultados. Sinto que não é dada a devida importância a essa matéria quanto na definição das habilidades de um gerente de projeto. Não tanto quanto a sua perspicácia de montar cronogramas e orçamentos. Principalmente quando o produto final é um software, onde os conhecimentos técnicos tendem a ficar em primeiro plano. Mas o meu objetivo com esse trabalho é evidenciar que o melhor gerente de projeto não é somente aquele que agrega os fundamentos do gerenciamento, mas que incorpore em sua liderança questões que o possibilite dividir o seu sucesso com o suor de sua equipe.
Para melhor apresentar esses conceitos e visões na busca do conhecimento da equipe, usarei o primeiro capítulo para apresentar como o gerenciamento de recursos humanos é visto segundo o PMBOK. Através desse ponto de partida será possível ter uma visão técnica e organizada sobre a ótica do gerenciamento de projetos puro, sem vícios ou questões meramente humanas. Na minha experiência, percebo que mesmo quando os projetos se demonstram semelhantes em suas premissas, restrições e objetivos, sempre diferem em espírito e que a disciplina é fundamental na obtenção do sucesso. Ter um guia, ou roteiro, bem trabalhado faz parte
de um gerenciamento de projetos bem realizado.
No capítulo seguinte, o foco será em definir as questões humanas que podem exercer sobre um profissional. Fazem parte da essência natural de qualquer membro da equipe os traços pessoais e profissionais. O primeiro define suas características humanas, tal como apresenta a astrologia, sua forma de pensar e agir, sua emoção, paciência, entre outras que traçam sua identidade frente ao mundo que vive e podem prever suas tomadas de decisões. Já o profissional permeia a ética e suas habilidades adquiridas durante seu aprendizado técnico. Podemos reunir esses dois aspectos no conceito corporativo bastante utilizado nos dias de hoje, “o talento”.
Em um projeto, a reunião de talentos pode se denominar como uma equipe. O trabalho em equipe será o tema do terceiro capítulo. Uma coisa é ter bons profissionais a sua disposição, outra é fazê-los atuar de forma colaborativa na obtenção de bons resultados. Podemos citar inúmeros exemplos no futebol onde a reunião de astros em um mesmo time nem sempre foi capaz de proporcionar vitórias. Essa lógica pode ser tratada no gerenciamento de projetos, junto aos riscos que envolvem o trabalho em equipe para os objetivos traçados.
O consagrado livro de James C Hunter, “O monge e o executivo”, define que podemos gerenciar coisas, mas sobre as pessoas, apenas liderar. Nessa visão, o gerente de projeto que possui uma equipe sobre o seu comando, direta ou indiretamente, precisa atuar como um líder. Será dele a responsabilidade sobre o andamento das atividades do projeto e pelo desempenho de quem as executa. No capítulo quatro serão aborda das questões de liderança, como ela pode ser manifestada e pode ser mais bem exercida durante o andamento de um projeto.
Ao tratar da equipe com o seu líder e a atuação dos profissionais, a motivação precisa ser bem trabalhada a todo o momento. O capítulo cinco busca, através de questões objetivas e práticas, definirem os benefícios de um gerenciamento baseado na motivação de todos os envolvidos no projeto. Como um ciclo positivo, bons resultados podem ser alcançados a partir de um clima harmônico e bem orientado.
Esse estudo busca contagiar todo o gerente de projeto, de diferentes naturezas técnicas, a utilizar os conceitos técnicos do cotidiano de forma mais humana e positiva, onde o sucesso possa ser compartilhado não somente com os patrocinadores, mas dando o devido valor ao esforço daqueles que de alguma forma contribuíram com o resultado do projeto.
Acredito que esse simples modo de pensar garanta mais integração e comunicação entre os envolvidos e, naturalmente, sem sacrifícios, permita o tão esperado sucesso.
Para continuar lendo, confira o trabalho na íntegra.
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Postado por Rodrigo Seco em 01/03/2010 |