Uma devassa repreendida

Paris Hilton na campanha da Devassa

A campanha da cerveja Devassa, estrelada pela socialite (por falta de uma definição melhor) Paris Hilton, foi retirada do ar pelo CONAR, o Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, após denúncias de organizações de defesa da mulher e de consumidores. A denúncia principal seria o apelo sexual excessivo mostrado no anúncio.

Para quem não viu a tal propaganda, o vídeo está logo no final deste post.

Durante um bom tempo, era muito comum o uso do apelo sexual de mulheres bonitas e com pouca roupa para vender cerveja. E, pelo jeito, dava bastante resultado. Comparando com algumas outras campanhas publicitárias de cerveja, acho que a da Devassa é bem comportada. É só ver algumas propagandas da Kaiser e da Cintra (que também estão no final deste post), por exemplo. Perto de uma das últimas propagandas da Kaiser, a da Devassa é um exemplo de bom comportamento, na minha opinião.

Acho até que algumas chegavam a extrapolar no uso desse “recurso”. Há alguns anos, a Skol colocou no ar diversos anúncios que abusavam muito mais do apelo sexual feminino. E, pelo que eu sei, esses anúncios não foram retirados do ar. Lembro que eu cheguei a ficar incomodada com algumas dessas propagandas. E olha que eu não sou uma mulher cheia de pudores em relação à exposição do corpo feminino. Apenas não concordei com algumas situações que eu achava que expunham a figura da mulher ao ridículo.

Anúncio da Skol

Para evitar abusos nesse sentido, o CONAR estabeleceu, desde abril de 2008, em seu código de autorregulamentação, algumas normas éticas para a publicidade de bebidas alcoólicas. Um dos itens trata especialmente do apelo sexual na propaganda:

a. eventuais apelos à sensualidade não constituirão o principal conteúdo da mensagem; modelos publicitários jamais serão tratados como objeto sexual;

O código completo pode ser visto no site do CONAR.

O cumprimento desse item pode ser visto na maioria das propagandas, que, agora, usam muito mais de um apelo cômico do que sexual. Pelo menos, não um apelo sexual evidente, mas velado. As mulheres bonitas continuam lá, dando aquela forcinha à propaganda, mas de uma maneira mais contida e sutil, digamos.

Anúncio da Kaiser

No comercial da Devassa, a Paris aparece de vestido preto tubinho curto e a única coisa que ela faz é ficar se insinuando para um homem que está olhando para ela no prédio em frente. Acho que as denúncias podem ser muito mais por uma implicância com a figura da Paris Hilton do que pela propaganda em si. Pelo histórico de sua vida, que se sabe pela imprensa, ela, realmente, não é uma figura feminina exemplar. Mas acredito que, no comercial da Devassa, não tenha tido uma performance exagerada. Sensual, sim. Mas não entendi como sendo de uma maneira ofensiva ou extremamente provocativa. Acho que a propaganda se aproveita muito mais da sua figura, como sendo uma celebridade internacional, do que pelas possíveis insinuações sexuais.

Não sou nem contra nem a favor da Paris Hilton. Nem estou aqui defendendo a marca Devassa. Apenas não concordo com uma possível falta de critério nesse caso. Se não houver critério, a coisa vira bagunça. Mas também concordo que possa existir uma linha muito tênue entre a sexualidade e a sensualidade. Isso também varia muito de pessoa para pessoa. Eu, por exemplo, não me senti ofendida com a propaganda da Devassa. Mas, com certeza, outras pessoas sim. Só não acho que uma pessoa que goste de assistir à novela das oito ou ao Big Brother tenha motivos para se ofender com o anúncio da Devassa, já que era veiculado nesses horários.

Pelo que foi divulgado, o CONAR apenas atendeu aos pedidos de denúncias de terceiros. O próprio CONAR ainda não se posicionou sobre o assunto. Quem vai dizer se o código de ética publicitária foi mesmo desrespeitado? Acredito que o público seja mesmo o melhor parâmetro desta questão.

Vejo essa censura como uma certa hipocrisia. Esse é o país do carnaval, da bunda, da Mulher Melancia, dos programas de auditório com suas assistentes semi-nuas… Acho que as organizações de defesa dos direitos da mulher têm extrema importância, e que o público deve ter voz e se mobilizar quando se sentir desrespeitado. Mas é preciso que haja critérios claros e bom senso para que tanto os publicitários quanto o público se posicionem de maneira a serem respeitados e a defendam comportamentos que beneficiem a sociedade.

Abaixo, você vê alguns exemplos de comerciais que foram citados no texto.
E você? O que acha sobre esse assunto?

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Postado por Flávia Neves em 03/03/2010
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5 Comentários to Uma devassa repreendida

  1. Acabei de ver a nova versão… com uma tarja no logo que tem uma mulher com seios de fora e reformulada… Apenas a Paris Hilton falando Devassa… Será que o problema é o Logo?

  2. Rodrigo Seco em 02/03/2010
  3. Acredito que a função do CONAR é esse, mas eles devem justificar seus atos em cima de critérios bem definidos. Falando sobre Marketing… o CONAR apenas ajudou a imortalizar a campanha… parabéns a Devassa…. Fechou a campanha com chave de Ouro… Se fosse eles refazia a campanha com um homem semi nú ou uma mulher muito gorda ou com com algum tipo de deficiência…

  4. Rodrigo Seco em 02/03/2010
  5. Fala sério! o Conar, às vezes, ultrapassa o senso do ridículo. Existem coisas muito piores por aí. O carnaval é uma delas. Por exemplo:

    - Em época de carnaval até comercial de mercado tem mulheres dançando quase nuas;

    - Na TV exibem mulheres de peito de fora e falam que é arte;

    - No BBB a pornografia e explícita em muitos casos;

    Fala sério! Muito mais erótico que qualquer comercial de cerveja ou qualquer outro produto. Ou tem regra definitiva para quaisquer produtos e programações (besteira!) ou então deixa de palhaçada (melhor!). Essa é minha humilde opinião.

  6. Leo em 03/03/2010
  7. Acho que deve haver uma regra e ela deve vir de encontro aos esteriótipos impostos pela sociedade e que desqualifica qualquer ser, seja mulher, muçulmano, negro, índio, branco, homem…
    Não é questão da nudez pura e simples, mas da forma que essa é utilizada.
    Nessas questões, sempre temos que pensar como sociedade e que rédeas serão sempre bem vindas…

  8. Rodrigo Seco em 03/03/2010
  9. Realmente, não há nada demais na campanha. Mesmo porque o nome da cerveja sugere peças publicitárias dessa natureza.
    Além disso, como dito no post, já houve campanhas muito mais explícitas, sexistas e estereotipadas. E que todo mundo gostava.

  10. Calango em 04/03/2010

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