O valor da informação (Parte III – A essência da informação e da comunicação)

Planeta informaçãoEu tenho uma formação em Ciência da Computação. Digamos que a “ciência” poderia ser traduzida como conhecimento, estudo e pesquisa. Logo então, inerente aos aspectos da computação, este pode ser considerado como a prática que provém do computador, ou máquina de cálculo, que por sua vez é capaz de manipular e processar informações vistas como dados. Visto isso, poderiamos dizer que a Ciência da computação exerce um monopólio científico sobre a informação? Visto desse ângulo, fica evidente que… não!

Foi só definir estarmos em uma “Era da informação” para entrarmos em uma onda da profissão ditas “da informação“. Como desfile de moda, a onde é ter uma especialização em qualquer coisa que trate desse tema. Digamos, “Era da informação”, “Sistemas de Informação”, “Tecnologia da Informação”, “Segurança da Informação”, “Gestão da Informação”, “Ciência da Informação” e muitas outras. A parti de agora, tendo sua profissão questionada, a resposta virá na ponta da língua – “Eu trabalho em TI, SI, GI ou CI”. Sou um “Information Man“. Ou melhor, detêm os estudos sobre os comportamentos da informação na sociedade.

DúvidaMas será que todos esses profissionais sabem, ao certo, o seu real significado do termo que os definem? Busque uma definição simples e objetica para a palavra “informação” com os amigos e colegas de trabalho. Curiosamente, quando obtiver alguma resposta segura, terá, em mãos, diferentes respostas. Não que sejam equivocadas, mas, certamente, será muito difícil entrarem em um acordo a respeito desse tema.

Na primeira parte da série abordei, de forma sutil e até infantil, aspectos primitivos da origem de uma comunicação entre indivíduos e objetos, sendo realizadado através da transmissão de uma mensagem, ou informação, por um meio entre o emissor e o receptor.

Já na segunda parte apresentei de forma clara e bastante objetiva as inúmeras relações entre a informação e a sociedade durante a evolução humana. Foram apontados exemplos pontuais de diferentes Eras, associando como sua posição de destaque era exercida.

Os artigos receberam inúmeros elogios, algumas críticas e até ganhou repercussão em outros blogs. Mesmo assim, alguns profissionais deixaram a reflexão de lado e se sentiram um pouco incomodados por estar tratando de um assunto que, talvez, não me viesse a respeito. O que não me surpreendeu, já que a vaidade é uma característica comum entre os profissionais de qualquer área, onde costumam se fixarem apenas aos conceitos apresentados sem questionamentos.

Além do mais esse é o principal objetivo desse espaço. O Quintal busca a promoção do debate e da reflexão aos seus leitores. E como diz no meu perfil, o debate contribui com a evolução construtiva da forma de pensar da sociedade.

SabedoriaMas afinal, o que vem a ser informação? Podemos definir como essência da informação, toda e qualquer característica agregada a uma entidade da natureza. Assim, a essência da comunicação seria a transferência dessas informações de forma espontânea pelos meios naturais.

Fluindo pelo aspecto natural, sempre existirão informações associadas a qualquer coisa. Somado a esse conjunto é possível refletir sobre entidades ainda não entendidas pela humanidade, como o espírito, a magia e a fé como elementos de uma “comunicação sobrenatural”.

RezaIndependente da sua religião, somente a indagação sobre a nossa existência nos traz profunda dúvida e espanto. Principalmente quando associada a fenômenos sobrenaturais, temas abordados com muita desconfiança e ceticismo pela ciência.

Tudo bem! Mas pensemos como as civilizações antigas tratavam o desconhecido? Quando estudamos o comportamento dos nossos ancestrais, percebemos que esses assuntos sempre despertaram curiosidade e espanto. Em épocas antigas, até o sol era definido como Deus.

Então, qual seria a relação dessa essência com o mundo atual? Eu diria que a nossa essência se confude com a forma que enxergamos a vida e nos comunicarmos com o mundo que nos cerca. A nossa percepção sobre tudo - a vida, natureza, sociedade em geral - depende diretamente desse fundamento. Ainda mais, se levarmos em consideração que nascemos sem qualquer informação a respeito (pelo menos, é o que achamos).

Olhos da naturezaSe você está lendo esse blog, é quase certo que consiga enxergar e receber as informações da natureza através da visão. Tente fazer um experimento bem simples:

- Pegue qualquer objeto da sua mesa. Feche os olhos por alguns instantes e o explore com as mãos. Procure definir algumas de suas características ou informações através do tato.

Talvez, descubrirá inúmeras informações que sua visão não foi capaz de captar. Perceba, que, nesse momento, a informação sobre sua luz e cor é irrelevante, ou seja, curiosamente, não infere valor algum.

Na mesma linha de raciocínio, qual seria relevância do som para quem não tem o “dom” de ouvir? A informação de uma superfície áspera é interpretada da mesma forma por um cego? A forma de “enxergarmos” o mundo influencia diretamente na nossa comunicação e como nos comportamos diante dos ambientes que nos são apresentados, exercendo, assim, forte influencia sobre as nossas vidas.

Sentindo a naturezaSerá que estamos preparados, se nos for retirado um dos sentidos que estamos acostumados e usamo na exploraração do ambiente desde crianças, sem que haja alguma perda na comunicação? De fato, o ser-humano sim. Experiências revelam que somos bastante adaptáveis, mas não negam a grande dificuldade desse processo. O mesmo não podemos falar dos animais em geral.

Toda essa essência pode parecer um pouco maluca e sem sentido, mas, se pensarmos de forma profunda e observarmos as informações que nos rodeiam, conseguiremos definir o nosso valor para cada uma.

Um velho ditado popular diz que o ser humano só consegue valorizar quando se vê sem. Mas, o mar visto pela primeira vez por alguém que só tinha a capacidade de sentí-lo, deve proporcionar um sentimento bem forte.

Nesse aspecto natural, o valor da informação se faz pessoal e é determinado de acordo com o público. Pesquisar como a comunicação e interação das pessoas com seus respectivos ambientes pode ser fundamental quando se deseja traçar um perfil detalhado sobre um determinado grupo.

O próprio meio de transmissão pode ser visto de uma forma bem mais ampla do que a definida por qualquer tecnologia:

  • Um amigo pode usar mil palavras para descrever sua emoção ao estar no alto de uma montanha e interagido com a natureza pulsante e exuberante. Mas, não há comunicação, por mais expressiva que seja, capaz de o fazer sentir a mesma emoçao quanto sentiria estando lá.
  • Seu filho doente poderá dizer suas dores, mas você nunca terá certeza de quão suportável elas são. A relação fraterna o faz sentir sua aflição. Será que, para ser considerada como uma comunicação, deveria haver algum equipamento que o fizesse sentir toda a dor.
  • Ao mesmo tempo, todo e qualquer livro poderá contar a sua versão da história, mas por mais detalhes que ele infira ao texto, nunca será capaz de definir com a mesma exatidão do que aqueles que estiveram presentes e participaram do acontecimento.

AmantesA informação sempre será forte em sua essência, mas inegavelmente violada pelo tempo e espaço como um telefone sem fio natural e contínuo.

Por mais que ainda não seja totalmente considerada pela ciência como modalidades de comunicação (não me refiro a acadêmica, mas na definição da palavra em si), o que dizer sobre a intuição materna ou feminina? E o pressentimento? Sem contar a emoção do amor à primeira vista e a famosa química vivida por dois amantes. Serão mantidos como misticismo popular até termos a capacidade de definirmos de forma fria e técnica como exigido pela ciência.

Talvez esteja nos faltando, como profissionais a serviço da humanidade (definido por um juramento), uma visão mais ampla sobre as questões que nos envolvem. Principalmente referentes ao ambiente que nos cerca.

Sinto que há um certo abandono, nos debates atuais, da natureza de como enxergamos o mundo, indo de encontro a nossa própria essência. A sociedade vem se tornando covarde e dependente, cada vez mais, da tecnologia. Evitar exageros deveria ser um ato profissional e acadêmico competente a todos nós (Esse assunto será tratado melhor na próxima parte).

Sonhos da naturezaO estudo desse plano de comunicação nos traria associações bem interessantes sobre o bosso comportamento e da sociedade em geral.

Talvez, tanto a informação quanto a comunicação podem ser vistas de uma forma muito mais ampla do que as defendidas em teses acadêmicas. Muito além da interação física, humana e tecnológica, o seu valor pode ser definido de acordo com o nosso cotidiano e como gozamos a vida junto à sociedade, aproveitando toda a informação que a natureza exala de forma expontânea

Pode parecer estranho, mas, talvez, aquilo que definimos como fome, pode ser oferecido pela natureza pelo sabor dos alimentos. Em geral, os lixos, nocivos, possuem fortes odores e a velocidade da colheita nos pede moderação.

Infelizmente, essa “comunicação” está cada vez mais distante. Quem sabe isso não explique um pouco mais sobre o que anda acontecendo no nosso mundo? Sei lá… Mas acho que as crianças têm muito a nos ensinar nesse campo. Que Deus nos abençoe.

Continuação: Parte IV – Um mundo de informação

Observação: Na Ciência da computação essa definição é bem representada pelo filme Matrix, nos jogos de simulação, na inteligência artificial e redes neurais. Nesses, as informações naturais são traduzidas para a linguagem humana e computacional em busca de um entendimento e simulação de forma abstrata e automatizada.

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Postado por Rodrigo Seco em 14/10/2008
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4 Comentários to O valor da informação (Parte III – A essência da informação e da comunicação)

  1. [...] também: Parte III – A essência da informação e da comunicação 30/09/2008 Comunicação, Informática, Telecomunicações sb_id = “1768″; sb_services = [...]

  2. O valor da informação (Parte II - A evolução dos meios de comunicação) | Quintal Virtual em 14/10/2008
  3. Gostei muito do texto.

  4. Rodrigo Seco em 15/10/2008
  5. [...] parte anterior da série definimos a informação como parte inerente da natureza. Tudo que fazemos, para qualquer lugar que [...]

  6. O valor da informação (Parte IV - Um mundo de informação) | Quintal Virtual em 13/03/2009
  7. [...] possível uma associação primitiva entre a informação e a segurança. Tal como visto no artigo O valor da informação (Parte III – A essência da informação e da comunicação), uma informação, em uma visão primitiva, é toda e qualquer manifestação natural do ambiente. [...]

  8. A segurança na era tecnológica (Parte II: Identificando os riscos) | Quintal Virtual em 21/09/2009

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