O pique-esconde
Quando criança, a brincadeira que eu mais gostava era o pique-esconde (esconde-esconde). Morava em um condomínio com vários quarteirões, carros, jardins, ótimos pontos de esconderijo e, principalmente, muita criança. A brincadeira se tornava um desafio.
O objetivo era se esconder enquanto um “escolhido” vendava os olhos por um tempo pré determinado. Após o término da contagem, de alguns “posso ir?” e ninguém mais responder, o escolhido começava a sua busca. Quando encontrava alguém, precisava encarar uma corrida até o ponto de contagem e bater na parede: “1,2,3” e o nome da pessoa. Mas precisava fazer isso antes que os escondidos batessem primeiro dizendo seu próprio nome. O primeiro que não conseguisse se livrar seria o próximo escolhido a contar e procurar.
Brincávamos em iguais condições. Geralmente, descalço com os chinelos nas mãos, camiseta e short. Após o “lá vou eu”, não se ouvia nenhum grito ou riso, que segundos antes, era constante. O silêncio era a melhor arma para não ser encontrado. Além da paciência, era um diferencial conhecer bem o território, ter boa velocidade e oportunismo. Não deixando de lado a inseparável sorte. Realmente, uma brincadeira bem estimulante.
As regras do jogo
Em tempos de criança, fazíamos nossas próprias regras que, inclusive, chegavam a variar de bairro para bairro. Sem burocracia e com muito bom senso, avaliávamos os participantes entre meninos e meninas, grandes e pequenos e tentávamos estipular regras que nos permitissem iguais condições (Lembra do famoso café-com-leite?). Sabíamos que, dessa forma, garantiríamos boa diversão, nosso principal objetivo.
Como seria essa diversão se alguém possuísse algum recurso especial que o diferenciasse dos demais? De um simples tênis em detrimento de uma turma descalça a uma roupa especial que o deixasse “invisível” em certos ambientes. Me permito viajar e pensar ainda em um comunicador com uma “central” que o posicionasse de acordo com a movimentação do escolhido (X9). Por que não um visor de raio-x? De imediato nos viriam a cabeça: “Assim não tem a graça“.
Reconheço a ousadia da minha parte para um simples pique-esconde. Mas, assim, fica evidente a influencia da tecnologia nas competições esportivas. Visto que, todas tiveram suas origens em simples brincadeiras como essa, antes de se tornarem complexas e rigorosas.
A medida que se popularizam e possuam grandes estruturas, fica inevitável a influencia da tecnologia em todos os aspectos. Desde a medição a garantir o cumprimento das regras, passando pela melhor preparação física até equipamentos de melhor precisão como bolas, tacos, bastões…
Ponto de equilíbrio
Até que ponto o uso da tecnologia garante a competitividade e a graça do esporte?
A graça
Em 1973, João Carlos de Oliveira, nosso João do Pulo, conseguia a incrível marca de 14,75 metros no salto triplo. Dois anos depois, ampliou sua própria marca para 17,89 metros. Marca essa que demorou dez anos para ser batida. Nesse período, apenas o nome de João estampava a linha reservado ao salto triplo do livro dos recordes esportivos.
Nessa época, havia pouca preocupação com o tênis ou a camisa que se iria usar. O importante era apenas superação física e técnica para vencer o desafio. No máximo, havia uma lógica preocupação com o conforto dos trajes para que, no mínimo, não atrapalhasse. Desde então, as primeiras evoluções deixavam claro a intenção de oferecer aos atletas acessórios que não os incomodassem e os deixassem mais capazes. Principalmente, evitando lesões e aposentadorias precoce.
A tecnologia
O mundo moderno e sua evolução ofereceu mais visibilidade ao esporte, com destaque para os jogos olímpicos. A organização dos jogos reune diversas práticas esportivas com atletas dos cinco continentes. É bastante forte a influência que as competições esportivas e os atletas exercem sobre a juventude. Sem contar o fascínio pela vitória e superação dos limites. Sobretudo, quando se vê representado pela bandeira da sua região. O esporte movimenta muito mais que suor, amor e orgulho, mas também milhões de dolares.
O esporte evoluiu com o tempo, no avanço natural da tecnologia. Não seria possível promover competições de tamanho porte como as olimpíadas atuais se não fossem as ferramentas disponíveis. Muito menos teria a tamanha visibilidade. Somente o avanço tecnológico propiciou essa paixão mundial pelo esporte. Sem contar a forte influência em questões de saúde e até políticas.
É evidente que seria alvo de interesses comerciais, cada vez mais influentes. Diversas empresas do ramo esportivo investem pesado no esporte. Desde fornecimento de materiais esportivos a atletas até patrocinadora oficial da competição. Não se pode negar que esse auxílio foi fundamental no fortalecimento do esporte mundial. Mesmo que não haja um bom equilíbrio entre as modalidades esportivas, ao menos, havendo interesse popular, os investimentos se tornam claros e bem vindos. Seu peso é proporcional ao interesse de cada região.
As competições esportivas passaram a servir como vitrine de produtos e marcas. Atletas se tornaram reféns e são verdadeiros garotos propaganda em tempo integral. Esse é o preço que se paga quando se deseja bons resultados individuais ou coletivos. Porém, a interferência das empresas não ficaram apenas na divulgação de suas marcas. Para justificar a força, era preciso produzir vencedores associá-los aos seus produtos. Esse é o ponto mais polêmico na influência da tecnologia no esporte.
O esporte hi-tech
Nas últimas décadas observamos um grande avanço no esporte com advento de novas pesquisas em diferentes áreas. Grandes marcas passaram a patrocinar atletas e disponibilizaram centro de treinamentos, um conjunto de equipamentos e profissionais com o único objetivo de capacitá-lo ao máximo.
A olimpíada é o melhor exemplo dessa nova fase. A cada quatro anos, somos surpreendidos por equipamentos e vestes que prometem aumentar e aproveitar o máximo o potencial do atleta. Após anos de pesquisas e forte investimento, onde cada movimento do atleta é monitorado por computador, é preciso mostrar ao mundo o resultado e o poder da marca. De forma explícita os fabricantes garantem que estão, através dos seus produtos, tornando o atleta mais capaz o que o que diferencia dos demais que, por sua vez, nem sempre possuem as mesmas condições de treino e equipamento.
Porém, vale destacar que esses investimentos refletem diretamente em nossas vidas com novas técnicas da medicina, dicas de nutrição e tratamentos de fisioterapia. Sem contar que contamos com produtos com mais qualidade, que oferecem cada vez menor risco a nossa saúde.
Que vença o melhor
Esporte é adrenalina, superação dos próprios limites, técnica e desafio. Cada deslize pode custar a derrota, cada segundo faz a diferença. E são esses pequenos detalhes que faz do esporte uma paixão mundial, nos proporcionando momentos inesquecíveis na história.
Como em qualquer duelo, cada um apresenta as suas armas e promove um desafio de gigantes, onde somente um será o vencedor. Hoje, o atleta é praticamente como uma escola de samba e precisa compartilhar suas vitórias com uma enorme equipe de apoio e com os patrocinadores que oferecem todos os recursos e equipamentos que o diferencia dos demais.
Mesmo com todos os frutos alcançados, a sociedade ainda precisa definir até que ponto a graça do esporte pode sofrer influências da tecnologia. Apontar para cada competição, o que está realmente em jogo. O conjunto da obra ou apenas a capacidade individual de cada atleta? Esses aspectos precisam ser mais transparente para não desapontar o incrível público. No mais, que vença o melhor!
Leia também: Parte II – A origem da influência
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Postado por Rodrigo Seco em 16/05/2008 |
tbm sou uma curiosa da tecnologia
eu adoro quintais.
parabéns!
>.<
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