O mundo está chato. E você faz parte disso!

Você certamente viu ou ouviu falar sobre o “tchauzinho” de despedida que a repórter Mariana Godoy fez no final do último debate entre os candidatos a Prefeitura do Rio de Janeiro. No momento, a repórter respondia ao comentário do candidato Marcelo Crivella que disse que o sucesso do debate teria sido fruto da beleza das âncoras. Veja o vídeo abaixo:

Logicamente, o assunto tomou as redes sociais, com opiniões de todos os lados, acirrando ainda mais a disputa pela Prefeitura de uma das cidades mais importe do país. Mas precisamos falar de machismo e feminismo. E o que você tem a ver com isso?

Então, o mundo está chato? Está! Sim, preciso concordar que há muito exagero na cautela com alguns preconceitos seja contra negros, mulher e homossexuais.

Mas vamos cair na real! O mundo precisou ficar chato a partir de percebermos as consequências da zona de conforto da classe dominante e isso reflete na VIDA de muita gente!

Também não concordo com os rótulos e com qualquer tipo de censura as piadas. Descobriram, e você há de concordar, que essas “brincadeiras” na escola é o origem de tudo isso.

Costumo ouvir, sempre “fui zoado e nunca aconteceu nada”! Não mesmo? Como seria a contratação da sua empresa do “Bronha” (um grande amigo meu e sensacional pessoa) da escola? Será que não viria nada na sua cabeça? Se os negros fossem de alguma forma depreciados naturalmente, como você os veriam quando adulto? E aquela menina “esquisita”?

Você realmente acredita que todos daquela turma cresceriam e saberiam separar ou entender que aquilo era errado? Ou, levaria na esportiva e agiria como se nada estivesse acontecido. Duvido que não levaria em conta, aliás, em uma contratação, a escolha é minunciosa e você precisa considerar tudo que sabe daquela pessoa.

Posso dizer por mim! Eu fui o “bilau” na faculdade. Por ter fugido do trote um dia, cai na brincadeira e fui pintado de bilau. Lógico que não recebi mais que algumas moedinhas. Era nítido que na faculdade nem todos me tratavam somente na brincadeira e que se dependesse de algo dela pra ser o que sou hoje, teria uma dificuldade a mais.

Talvez fosse necessário a desconstrução de ser o “bilau” para aqueles que não eram próximos a mim, mas já sabiam em seu inconsciente o que ser o “bilau” representaria. Ninguém gostaria de estar do lado daquele que as pessoas chamam de “bilau” e conhecer dá trabalho. Pra quê, se tem tanta gente que já conheço e podem me satisfazer?

Pois bem! Vamos olhar as estatísticas! Maior percentual de desempregados são negros e mulheres. As mulheres, historicamente, recebe menos que os homens na mesma função. Somente 12% dos políticos são mulheres e menos ainda são negros. O que dizer dos cargos mais importantes. Quanto mais alta é a posição menos negros e mulheres existem. Tudo isso desrespeitando a porção do país para essas classes.

Não é novidade que religiões e muitos grupos ainda tentam entender o que faz alguém virar homossesual. Nunca ouviu isso? Isso tem melhorado? Sim! Muito aliás. Mas está longe de ser sanado. O que fez mover essa mudança foi justamente as críticas e a postura de muitas mulheres em não aceitar mais ser colocada apenas como “a bonita”. Ou você nunca ouviu falar “ela está ali só porque é bonita”. Muitas mulheres querem ser a “competente”, além de bonita. Mas só há alguma melhora porque estamos aqui, debatendo.

Até pouco tempo atrás, isso passaria desapercebido, seria comum e vida que segue. Então, vejo como muito positivo chamarmos atenção e colocarmos essa discussão na mesa. Que sociedade queremos?

A crítica a esse tipo de postura também vem crescendo, por mais abusurdo que essa depreciação vem fazendo parte da sociedade. E aí que incomoda alguns mais resistentes a ideia que nada acontece ou não faz parte desse grupo e não sabe o que é perder algo por ser mulher, negro, feio ou homossexual.

Então, meus amigos, o respeito não é pleno. Ainda estamos na fase da aceitação. Como se diz, “aceita que dói menos”. Podem até sentar do meu lado. Mas a sociedade ainda discrimina, e muito, pior ainda quando levamos para o lado profissional. Talvez, já aceitemos bem no nosso pessoal, mas no profissional ainda falta muito.

Tchauzinho de Mariana

Para quem não entendeu a Mariana no gesto de miss. Elogiá-la de bela é ótimo. Nunca alguém pode ser criticado por isso. Mas entenda o contexto, meu amigo. “O debate foi bom porque você é bonita”. Jura?

Então, uma repórter está na sua bancada, colocando tudo que aprendeu, e o que faz tudo funcionar é a beleza dela? Por que não dizer de sua competência? O que não falar da sua capacidade de expressão, de condução. E se fossem feias, seria ruim?

Simples! Você se dedica meses pra está ali. Estuda os candidatos, treina exaustivamente em frente ao espelho. E quando vai receber a nota do seu trabalho, vc receve “10 por ser bonita”.

As coisas estão tão enraizada nas pessoas que nem todos conseguem enxergar e fazem de forma inocente. Sim! Crivella e qualquer um pode elogiar a beleza de uma mulher. Na verdade, todas merecem isso. Mas a Mariana queria muito receber um elogio profissional. Porque será isso que sustentará ela quando envelhecer. Aliás, quantas mulheres repórteres mais velhas você conhece? São minoria frente aos homens mais velho, bem diferente das âncoras, que geralmente são mulheres.

Então! Vamos lá! Pra ser profissional mulher, basta ser bonita que hoje em dia é 80% do caminho andando. E não me dizem que é mentira. Isso é justo? Por que o comportamento não é o mesmo para a contratação de homens? Isso é generalizado? Talvez nem todo lugar filtra dessa forma, mas, meu amigo, é muito mais comum do que você imagina. Basta olhar ao seu redor.

Sem rótulos, por favor. Mas se você acha que nada precisa ser feito ou ninguém mereça um puxão de orelha ou até ser ironizado por isso, vc está usando rótulos. Se cada um pode pensar como quiser, deixe a Mariana pensar do jeito dela e fazer uma brincadeira que recebeu um elogia de miss.

Você não precisa concordar comigo. Mas aceitem que vivemos em uma sociedade muito preconceituosa e o que é preconceito senão rótulos. Sim! Aquele que você condena. E rótulos e preconceitos fazem muito mal a qualquer sociedade. E olha que não falamos sobre pobre da favela, ex presidiário, portador de necessidades especiais, ex-BBB (rs), classe artística, política, e tantos outros que sofrem todo tipo de “rótulo”.

O mundo é feito de preconceitos. Está enraizado na nossa cultura não aceitar as diferenças. Nossa zona de conforto não deixa. Levamos muito tempo pra entender as coisas, que quando vem algo diferente, nossa cabeça dá um nó. E quanto tem de gente querendo ser diferente por aí. Dizem até que seria caso de psicólogo ou até impuseram curas. Pra mim, quanto mais formos isentos e condenarmos qualquer tipo de preconceito, estaremos mais abertos ao diálogo e a nossa própria evolução como sociedade.

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Postado por Rodrigo Seco em 21/10/2016
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