A coleira e o crachá

Motivação

Motivação

Muitos amigos dizem que não vêem mais ânimo para ir ao trabalho todas as manhãs. Alguns confessam que não se trata de preguiça ou decepção com a profissão, mas não se sentem motivados com as atividades que desempenham no emprego.

Sinto que esse sentimento é bastante comum entre os profissionais dos dias de hoje. Chega a ser um privilégio, visto com uma certa inveja, os que conseguem expor um certo orgulho e prazer com o seu trabalho. Mesmo assim, tenho que admitir que não é fácil encontrar profissionais realizados.

De fato, encontramos inúmeros fatores que contribuem com essa realidade. Poderia citar como um dos principais a correria do mundo capitalista globalizado e a concorrência do mercado profissional cada vez mais exigente.

Além disso, podemos apontar duas relações de trabalho (empresa x profissional) que exercem forte influência na motivação até dos mais experientes. Eu as apelido de “método da coleira” e “método do crachá”.

Na primeira, as ações dos profissionais são determinadas fortemente pelos seus superiores, seguindo as orientações definidas nas metas da empresa. Há um forte monitoramente, uma avaliação constante no desempenho e no comportamento de cada profissional. Mesmo assim, a visibilidade dos resultados costumam tomar proporções mais coletivas.

trabalho

Já o segundo método caracteriza pela relativa liberdade nas ações do profissional. O crachá estampado no peito simboliza com mais rigor, que as suas atividades desempenhadas representam a visão estratégia e as metas definidas pela empresa. O foco está nos resultados obtidos e não na forma de atuação dos profissionais. Para isso, acredita-se em uma forte sinergia e relação de confiança da empresa com seus funcionários.

Em um primeiro momento, podemos nos encantar pelo estilo humanista e de forte valorização profissional do método crachá. Mas tenham cuidado com as armadilhas. A não ser que se sinta um profissional infalível, talvez não veja com bons olhos ter toda a responsabilidade em suas mãos. Os métodos têm suas vantagens e desvantagens para cada um dos protagonistas dessa relação. O importante é saber avaliar os seus perfis e metas.

Você em foco

Você em foco

Olhando pelo lado profissional, no método crachá há maior visibilidade dos resultados do seu trabalho. Mas também quando são negativos. Enquanto no método da coleira, essa responsabilidade é compartilhada com uma equipe ou setor. Em contra partida, nesse último, o seu talento e esforço não são visíveis e, mesmo que mereçam destaque, podem ser castigados por um mau resultado da equipe no contexto geral.

Pode parecer ideal ser líder das suas próprias decisões. Mas, como dizia o tio de Peter Parker (o Homem-Aranha), grandes poderes implicam em grandes responsabilidades. Não é simples encarar desafios desse porte, que requer concentração, competência e compromisso.

A relação de equipe do “método coleira” é mais fiel e menos danosa ao profissional. Da mesma forma que é mais difícil premiar o desempenho individual, nem sempre nos parece óbvio e bem aceito quando se resolve penalizar quem quer que seja pelos resultados não atingidos.

Já pelo lado da empresa, o “método crachá” exige uma medição dos resultados individualmente. As tomadas de decisões se tornam mais pontuais e capazes de obterem resultados mais precisos.

Qualificação

Qualificação profissional

Contudo, a manutenção desse método requer profissionais altamente qualificados e focados nas atividades da empresa. Todo o organismo fica mais sensível, o que obriga a investir em treinamento e comunicação. Nesse cenário, constuma-se chamar os profissionais de colaboradores e, até certo ponto, é válido permitir que parte das tomadas de decisões sejam realizadas por eles. Tantos poderes fazem com que qualquer erro ou má fazem tragam consequências danosas a organização.

Recentemente, o google, reconhecido por manter uma gestão humanista, sofreu fortes baixas. Uma de suas políticas era manter os seus funcionários informados a respeito de qualquer projeto, objetivos e rumos que a empresa pudesse tomar. Isso é importante para que todos possam dar palpites sobre as idéias e melhorá-las, num espírito de criação coletiva. Infelizmente, há rumores que alguns projetos secretos chegaram a público, forçando os fundadores a reverem alguns desses conceitos nas filiais pelo mundo todo.

Um outro bom exemplo de utilização do “método crachá” é a Magazine Luiza, considerada pelo instituto Great Place to Work uma das dez melhores empresas para se trabalhar no Brasil em 2008. Uma rede varejista paulista que tem como diferencial o tratamento amigável dispensado aos clientes e a impressão dada pelos vendedores de que sempre buscam a melhor solução. A liberdade de negociação traz responsabilidades, exige competência, mas também motiva e enaltece a relação com os clientes. Não é por menos que essa política vem trazendo bons resultados e contribuindo com o forte crescimento da rede.

Realização profissional

Realização profissional

Mas todo essa responsabilidade e competência tem um preço. A valorização e a motivação profissional precisa ser uma constante no “método crachá”. Nele, boa parte do conhecimento está fortemente ligado ao profissional. O impacto gerado com a perda de um profissional é bastante elevado. Com isso, é necessário evitar ao máximo sua perda.

Perceba que não é possível definir qual o melhor método. Tudo dependerá da circunstância, dos objetivos e do perfil, tanto do profissional, quanto da empresa. Seja qual for o método aplicado, a manutenção da integridade emocional das pessoas passa por um ambiente com justiça, harmonia, confiança e respeito mútuo.

Independente do desafio, a motivação profissional precisa estar dentro de cada um de nós. O importante é se dedicar e ter ciência dos nossos limites.  Somos os primeiros a quem devemos resultados e quanto mais buscamos a nossa superação, ficamos mais próximos da satisfação profissional desejada.

Veja também:
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Postado por Rodrigo Seco em 10/08/2009
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2 Comentários to A coleira e o crachá

  1. [...] A coleira e o crachá [...]

  2. Aconteceu - 14 :Carta aos leitores: | Quintal Virtual em 10/10/2009
  3. [...] Veja também: A coleira e o crachá [...]

  4. Trabalho em equipe: desenvolva esta habilidade | Quintal Virtual em 31/05/2010

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