As profissões de TI sobre a ótica de um simples analista

Ler antes: A quem interessa regulamentar as profissões de TI?

TI em alerta

TI em alerta

Há bastante tempo venho publicando notícias relacionadas ao debate sobre a criação de um conselho para a área de informática. O tema não é novo, mas cada dia que passa o debate fica mais acalorado e, ao mesmo tempo, preocupante.

Poucas vezes me manifestei sobre o assunto. Confesso que preferia ouvir mais do que emitir qualquer opinião. Nesse tempo, li todos os tipos de opiniões, vindos de diferentes pessoas e interesses. A cada ponto de vista diferente a minha cabeça girava, entre alguns absurdos haviam argumentos que precisavam ser considerados.

Roberto

Roberto

Ontem, publiquei a opinião do presidente da Assespro Nacional, Roberto Carlos Mayer. Para quem ainda não ouviu falar, essa entidade foi “criada com o intuito de representar empresas privadas nacionais produtoras e desenvolvedoras de software, serviços de tecnologia da informação, telecomunicações e internet”.

Como não podia ser diferente,  ele defendeu fortemente as empresas de software e refletiu suas preocupações com a forma de implantação desse conselho. Principalmente quando, no Brasil, a política está longe de ser uma atividade profissional e o jogo vem demonstrado claramente um conflito de interesses e ambição de muitas entidades ligadas ao setor.

Reunindo as opiniões

Reunindo as opiniões

O Quintal sempre se demonstrou um ambiente democrático. Mesmo apoiando a idéia da existência de um conselho, ao receber a sugestão de post por e-mail, publiquei na hora. Acredito que até os defensores incondicionais a existência de um conselho precisam ponderar sobre diferentes aspectos.

Eu sou um analista, formado em uma universidade de ponta, em um curso completo voltado a pesquisa e de alta complexidade. Chego no mercado e me vejo concorrer com engenheiros, matemáticos, químicos, médicos e até profissionais sem nível superior. O que mais me frustra é perceber que, na maioria dos casos, essa concorrência se trava de “igual para igual”. Não preciso nem falar que essa situação vem nivelando para baixo a qualidade do serviço prestado e a valorização do profissional de TI.

Hoje, qualquer universidade, em qualquer curso, se diz formar analistas de sistemas. Cursos técnicos “ensinam” ferramentas de desenvolvimento de software e capacitam pessoas a atuarem como desenvolvedores. Curiosos usam a internet como aprendizado e se dizem aptos a criarem ferramentas de baixo custo à pequenas empresas. Muitos chegam a se anunciarem em jornais e vagam pela internet oferecendo os seus serviços. Sem contar os que usam os seus conhecimentos para praticarem crimes.

Quem será a voz do profissional?

Quem será a voz do profissional?

Diante dessas situações, como poderia, eu, não estar a favor a criação de um conselho? Mas, será que essa seria a melhor solução?

A prática vem mostrando que a existência de um conselho não é garantia de um alto nível na qualificação e no ensino. Destaco o alto índice de reprovação no exame da OAB e os sucessivos alertas dados pelo conselho de medicina ao MEC sobre o baixo nível da formação dos profissionais da área médica. Esses casos demonstram claramente que esse é mais um problema político do que de falta de conselho de fato.

Em conversa com alguns profissionais sócios de diferentes conselhos, poucos foram os que aprovaram as suas atuações e necessidades. Muitos se demonstravam frustados e declaravam que as ações de seus conselhos dificilmente buscavam valorizar a atuação profissional dos seus filiados. A sensação que fica é que a principal preocupação desses órgãos está na cobrança de taxas e revenda de produtos do sertor. Não consegui referências de ações que refletissem diretamente na qualidade do ensino e na atuação profissional no mercado de trabalho. Muito menos um enfoque mais efetivo na contribuição da profissão no desenvolvimento do país.

Talvez o Roberto (Mestre em Ciência da Computação pela USP), face as suas competências frente a um órgão tão representativo e atuante no mercado de TI, não tenha demonstrado sua preocupação diretamente com a qualidade e o profissionalismo na área, mas duvido que não enxergue esse problemas enfrentados no cotidiano dos profissionais.

Em busca do consenso

Em busca do consenso

Após ler a opinião do ilustre Presidente, confesso que fiquei alguns minutos refletindo. Sendo eu um grande defensor da criação, como poderia estar concordando com boa parte de suas palavras? Mas foi fácil perceber que o que ponderava não se tratava de uma negativa a criação de um conselho, mas de uma definição clara e objetiva de suas motivações e preocupações com os problemas enfrentados no setor.

O que muita gente não sabe é que a criação de um conselho não é nada mais que uma passagem de bastão das responsabilidade que hoje é do MEC, governo federal e apoiada pela legislação federal vigente.

De fato, todos os conselhos foram motivados por uma grande única preocupação: Como responsabilizar sobre as ações do profissional quando pré-julgadas equivocadas? Duvida? Então, como é tratado um erro médico? Como crime ou fatalidade? Quem julga a ética de um advogado mesmo quando omite informações para justiça ao defender um bandido de alta periculosidade a sociedade?

Perceba que não há necessidadede conselho para avaliar a qualidade de um produto ou serviço. Muito menos para apontar responsáveis e avaliar a competência de um profissional. Todas as profissões, mesmo as que dispõem de conselhos atuantes, seguem as determinações definidas por lei. Entre elas posso citar o código do consumidor, leis penais, constitucionais, etc… Além do próprio Ministério da Educação que define os limites e busca qualidade no ensino. Porém, a ineficiência da máquina pública e a falta de visão com as questões mais íntimas de cada setor nos faz crer que a criação de um conselho seria a única saída, quando, talvez, pode ser o início de novos problemas.

Ética profissional

Ética profissional

A medida que o assunto vai sendo aprofundado, novos “entendidos” no assunto surgem buscando defender os seus interesses. Além disso, a gigantesca informática possui infinitas instituições, conselhos, sindicatos e entidades não governamentais, todos com os seus prórprios interesses, fazendo de sua motivação existencial a bandeira no debate sem fim ou consenso. Sem contar que praticamente todas as profissões fazem uso da informática diretamente e sofrerão o impacto seja qual for decisão final.

Com tantas opiniões e diferentes interesses, me sinto cada vez mais desanimado que haja uma saída agradável, se houver. Mas destaco um posicionamento exposto na opinião do Roberto que me parece lógico. Como tudo na vida, precisamos de um começo e temos um ponto que me parece haver concordância geral.

Há situações de risco que requerem qualificação e certificações adequadas. Isso pode ser tratado como um ponto estratégico no desenvolvimento do país e requer atenção especial. Talvez a criação de um conselho sobre esses casos pode ser um bom ponto de partida. A partir daí, estaremos aprendendo com os nossos próprios erros e aos poucos definindo o que pode ser considerado fundamental e merecedor de uma apreciação mais adequada por esse conselho específico. No fim, as próprias empresas estariam definindo diretrizes baseadas nesse nível de qualificação defendida por ele.

Bem. A verdade é que não existem opiniões que agradem a todos. E incluo as minhas nesse conjunto. Também não há como negar que o assunto é polêmico. Eu poderia ficar aqui o dia todo ponderando sobre inúmeros detalhes.

Pensando no futuro

Pensando no futuro

O que mais me preocupa é que enquanto não se chega a uma conclusão que atenda ao máximo as demandas de mercado, a situação só piora e nenhuma medida intermediária é tomada. Essa falta de apoio sé me faz crer na necessidade de termos alguma entidade totalmente comprometida com a qualidade e a ética na profissão de TI. Que seja um órgão sem filiados mais atuante. Ou que apenas pudesse debater e sugerir regras ou leis que diminuíssem esse carnaval que virou a área de TI no país. Certamente, esse é outro ponto de consenso. Alguma coisa precisa ser feita e rápido!

Por fim, eu ainda acredito que um conselho, bem definido a base do profissionalismo e não da política, possa trazer harmonia e bom senso no exercício da profissão de TI. Mas precisamos ficar atentos para que erros não sejam copiados e venham complicar ainda mais. A participação de todos nesse debate é mais que fundamental. Mesmo que decidamos na divisão na área, qualquer atitude precisa ser bem pensada e avaliada. Qualquer atitude errada pode causar consequencias prejudiciais as empresas e ao elo mais fraco desse sistema, o profissional de TI.

Participe você também desse debate. Deixe sua opinião…

Veja também:
Regulamentação da profissão de analista de sistemas não tem consenso
Profissão: Analista de sistemas

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Postado por Rodrigo Seco em 28/01/2009
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3 Comentários to As profissões de TI sobre a ótica de um simples analista

  1. [...] também: Regulamentação da profissão de analista de sistemas não tem consenso As profissões de TI sobre a ótica de um simples analista Dê o seu voto:  Loading … Postado por Rodrigo Seco 27/01/2009 Informática, Profissão [...]

  2. A quem interessa regulamentar as profissões de TI? | Quintal Virtual em 22/09/2009
  3. [...] também: As profissões de TI sobre a ótica de um simples analista Dê o seu voto:  Loading … Postado por Rodrigo Seco 06/05/2008 Informática, Política, [...]

  4. Profissão: Analista de Sistemas | Quintal Virtual em 23/09/2009
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