A tecnologia e a infância (Parte IV: Gerenciando os riscos)

Lições aprendidas

Lições aprendidas

Hoje em dia, já crescido, tenho a visibilidade que tive uma boa educação. Os meus sucessos no âmbito social e profissional comprovam que adquiri conceitos e critérios capazes de garantir um futuro promissor e tranquilo. O diálogo e limites rígidos foram às principais referências utilizadas pelos meus pais durante a minha infância. Não posso prever qualquer imprevisto, mas consigo enxergar um caminho de oportunidades.

Não é possível avaliar se a dose adotada foi a ideal. Contudo, como ninguém se dedica visando o erro, a minha mãe costuma dizer que preferiu exagerar pelo zelo a errar pela omissão. Além disso, busca justificar os seus eventuais equívocos afirmando que nenhum filho vem com manual de instruções e que precisou atuar de acordo com as suas convicções.

Aprendendo a ouvir

Aprendendo a ouvir

Como diz o ditado popular – “de médico e louco, todo mundo tem um pouco”. Já nas minhas observações, percebi que cada pessoa possui uma opinião formada sobre ações e reações durante a educação. De grandes estudiosos a donas de casa não há consenso sobre o assunto, principalmente quando envolve o uso da tecnologia. Somando a esse grande interesse e mistério, percebo que nenhum pai e mãe se sente bem ao ver o seu método criticado. Mas, como estamos falando da educação de uma vida, talvez seja muito importante ouvir e refletir sobre o tema antes de tirar as suas próprias conclusões.

Ao publicar as outras partes da série, verifiquei um interesse grande pelo assunto. As três partes estão entre as publicações mais visualizadas no Quintal Virtual. As principais preocupações que encontro, daqueles que buscam oferecer a melhor educação aos seus filhos, está no encontro do tempero ideal, entre o rigor e a liberdade, ou se suas atitudes estão sendo bem assimiladas e refletirão em um caminho virtuoso e calmo.

Personalidade

Personalidade

Acredito que não exista uma fórmula ou projetos prontos que garantam o sucesso. Ao envolver vidas, falamos de personalidades, culturas, fatores sociais e ambientais que podem exercer forte influência nas tomadas de decisões. Assim, o considerado danoso a uma família, pode ser essencial a outra. Compartilho da opinião que antes de qualquer ação, é preciso refletir sobre os princípios e objetivos que se deseja atribuir a educação da criança.

Podemos considerar o processo de educação com um projeto de vida, delimitado do nascimento até a formação adulta, com objetivos determinados. Muitos exemplos e estudos comprovam ser extremamente nocivo quando ditamos decisões que devem ser tomadas pela criança quando adulto como a profissão ou o par ideal. Contudo, podemos exercer controle no molde do caráter, ética, responsabilidade, cordialidade entre outros fatores que o permitirá ser melhor aceito pela sociedade e ter uma visão mais ampla do mundo que vive. No fim, ela deverá estar capacitado a ter sucesso nas suas próprias tomadas de decisões.

Ao definir o padrão de educação, alguns pontos precisam ser refletidos:

  • A criança de hoje enfrentará os critérios de um mundo de quinze anos à frente;
  • Devemos evitar ao máximo a transferência dos nossos sonhos e medos entre gerações;
Metas na educação

Metas na educação

Observando esses e outros critérios fundamentais, questões que atendam as vaidades de cada família, já se torna visível determinar os objetivos e as metas que deverão ser revistas e aperfeiçoadas durante todo o amadurecimento. À medida que o entendimento estiver mais claro, ficarão mais evidentes as contribuições e atribuições de cada um no equilíbrio do planejamento e nas conquistas de todas as metas.

O universo tecnológico dispõe de inúmeros recursos que podem tanto contribuir quanto prejudicar o planejamento. Contudo, é evidente os benefícios do avanço tecnológico visto os hábitos da educação no passado. O mundo de hoje está melhor servido, principalmente, quanto ao acesso a informação e orientações dos melhores caminhos. Sem contar com a grande disponibilidade de tecnologias mais eficientes em setores como da saúde, higiene, proteção, comunicação, educação entre outros.

Celular na sala de aula

Celular na sala de aula

Quando alguém me pergunta sobre a conveniência do uso de uma tecnologia por crianças de diferentes idades, defendo a tese que por mais inofensivo possa parecer, todas as decisões devem levar em consideração, como observado na parte anterior (a difícil missão de educar), a capacidade de assimilação da criança quanto a finalidade do produto, sua necessidade real e observar se os benefícios são compatíveis com as metas estipuladas. Somente os próprios pais terão capacidade em avaliar os riscos que envolverão o uso de cada tecnologia.

Muitos estudiosos consideram absolutamente nocivos o uso exagerado da TV, internet e de alguns jogos de vídeo games. Mas é sabido que, por mais danos que possam provocar, esses e outros recursos, quando tem o uso monitorado e bem utilizado, são grandes aliados na captação de conhecimentos, acesso a informação, formação de senso crítico e estímulo ao raciocínio lógico.

Prefiro dizer que não há equipamento bom ou ruim, mas todos certamente trarão consequências positivas e negativas. Acredito que o exercício do dia-a-dia é realizar o gerenciamento do risco dessas atividades. A preocupação deve ser, a partir de uma observação ao comportamento da criança,de  minimizar a possibilidade de danos, impondo limites, e de maximizar os muitos benefícios que cada equipamento pode exercer sobre a formação de uma pessoa, direcionando o seu uso correto, sem vícios e pró aos objetivos traçados.

Jogos violentos e a violência urbana

Jogos violentos e a violência urbana

Até jogos violentos, tão criticados e polêmicos, podem trazer benefícios como aprimorar o reflexo, a coordenação motora, a visão periférica, a atenção, aspectos que envolvem a coragem, o trabalho em equipe e o senso de estratégia. Contudo, esses benefícios refletir em grandes probabilidades de danos, com grandes impactos. Para que os problemas possam ser evitados, é necessário verificar constantemente o comportamento da criança quanto ao fascínio a morte, guerra, armas e se mostre tanto o quanto destemido frente os problemas encontrados no seu dia-a-dia, quando seria mais conveniente agir com cautela. Talvez, pelos altos níveis de risco, muitos especialistas sugerem o não uso dessas ferramentas durante a formação de uma criança. Mas, que fique bastante claro que análises semelhantes podem ser observados no uso da TV, do rádio e até durante a leitura de livros e revistas.

Todo esse gerenciamento dos riscos nos permite ter uma maior eficiência durante as tomadas de decisões. Mas, esteja certo que com um objetivo bem definido, bom monitoramento e todos os cuidados devidamente tomados quanto a ocorrência de eventos negativos, estaremos pondo sobre controle e atuando como servidores na educação dos nossos filhos, não dispondo do que ele deseja, mas do que ele realmente necessita.

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Postado por Rodrigo Seco em 05/10/2009
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2 Comentários to A tecnologia e a infância (Parte IV: Gerenciando os riscos)

  1. Tem um livrinho muito bacana que li no ano passado, nele a autora foca não sobre a tecnologia mas sobre como tudo pode ser “lido” (games, livros, blog, jornais, tvs etc), interpretado pelas pessoas, principalmente na infância. Acho que tem tudo haver com o post. Segue alguns trechos:”O adulto capaz de interpretar o que vê a sua volta e que considera o seu direito ao prazer e a beleza tão vital como seu direito a comida e a moradia, tem mais dificuldade de suportar este estado de coisas (destruição das cidades, pessoas incompetentes, desrespeito aos cidadãos). A insatisfação vem daí e é muito positiva. Da insatisfação surge o desejo de mudança, a espera de mudar. A família que forma um leitor forma, também, alguém com mais chances de estar convencido do seu direito de usufruir do prazer e da beleza. Não é pouca coisa.”…”É impossível para qualquer família, para qualquer adulto responsável por uma criança, ter controle sobre as circunstâncias do futuro. O que eleva e o que abate um ser humanoem sua trajetória não é previsível, pertence à esfera do imponderável. Por este motivo, escrevi acima que a vida é dura, sempre. Mas um ser humano, capaz de de preferir o prazer e a beleza, terão mais chances de encontrá-lo em seu caminho.”
    MOTA, Sonia Rodrigues. A Família e o Leitor, 1995

  2. Denise em 08/10/2009
  3. [...] Continuação: Parte IV: Gerenciando os riscos [...]

  4. A tecnologia e a infância (Parte III: A difícil missão de educar) | Quintal Virtual em 07/06/2010

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